A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 27/11/2020
O filme “12 Anos de Escravidão” retrata a história de um homem livre, no ano de 1841, que fora capturado e vendido como escravo. Durante toda trama os telespectadores acompanham a luta diária de Solomon contra o racismo da época, na tentativa de encontrar a liberdade. Fora da cinematografia, infelizmente, ataques raciais como os apresentados nas cenas do longa-metragem, assemelham-se com a realidade. Visto que, muitos brasileiros ainda negam a existência do racismo no país, não dando a devida importância a atitudes preconceituosas criadas pelo “apartheid social”.
Em primeiro lugar, é necessário entender que foram em condições desumanas que africanos de diversas regiões chegaram ao Brasil e, junto com estes vieram inúmeras culturas e crenças, que apesar da triste história de colonização do país, ajudaram e fazem parte da criação da cultura brasileira. Em uma sociedade em que negros e pardos são mais afetados em questões de emprego e ensino, negar a existência da cultura africana e de que o racismo estrutural é um projeto, faz parte de não combatê-lo.
Concomitantemente, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) 63,7% dos brasileiros entendem que a raça determina a qualidade de vida dos cidadãos, especialmente no trabalho, em questões judiciais e em relações sociais. Desse modo, a segregação com base na classe ou no status econômico na República Federativa do Brasil é gritante, pois, de acordo com o IPEA 70% dos brasileiros que vivem na miséria são negros ou pardos, gerando uma discriminação e distanciamento destes.
Portanto, é mister que medidas sejam tomadas para mitigar a problemática. Para que as raízes do racismo sejam gradativamente cortadas e a influência negra seja aceita, cabe ao Ministério da Educação (MEC) em parceria com prefeituras de todos os municípios, promover palestras e rodas de conversas, abertas para toda a comunidade. O momento seria para trazer mais conhecimento sobre a cultura africana e também sobre como esta teve influencia fundamental na criação da sociedade brasileira, fazendo com que gradativamente, o povo agarre, aceite e se orgulho de suas raízes, respeitando-as e tendo admiração. Pois, somente assim cenas como a do filme “12 Anos de Escravidão” ficarão apenas como marcas de um triste passado, que não se repetirá mais.