A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 25/11/2020

A agenda ONU (Organização das Nações Unidas) de 2030 é um plano de ação global composta por dezessete metas que visam melhorar o mundo, e uma de suas tarefas é a garantia da redução das desigualdades sociais. No entanto, o propósito torna-se inalcançável quando o assunto discuto é a persistência do racismo na sociedade brasileira. Nesse sentido, o problema deriva não só da escravidão brasileira, mas também da falta de políticas afirmativas.

Em primeiro lugar, é fundamental pontuar que a subordinação forçada dos negros até o final do século XIX contribuiu com a problemática. Nessa perspectiva, de acordo com Sergio Buarque de Holanda, a segregação social é uma característica da sociedade brasileira. Evidentemente, tal caracterização é derivada da escravidão, uma vez que após a Lei Áurea os negros foram inseridos à sociedade sem nenhum tipo de política pública de compensação e, por consequência, continuaram, em sua maioria, a ocupar cargos que beiravam a escravidão. Dessa forma, é evidente que o racismo presente na estrutura da sociedade atual é perpetuado pelo descaso estatal com a causa, o que tem como consequência direta a segregação social.

Além disso, é imperativo ressaltar que a falta de políticas afirmativas contribui com a problemática. Nessa ótica, de acordo com Thomas Marshall, para o exercício da cidadania o Estado deve proporcionar condições iguais a todos os indivíduos. No entanto, nota-se que a ausência de ações afirmativas aos negros não coloca a sociedade em equidade, já que a maioria desses cidadãos sofrem racismo nas relações sociais e laborais - salários menores e condições de trabalhos precárias -, além de raramente ocuparem cargos de grandes remunerações - vide a alta cúpula do exército brasileiro  que é composta majoritariamente por pessoas brancas. Logo, é notório que a falta de políticas públicas tanto alimenta a realidade atual quanto mantêm a disparidade existente nas relações de trabalho.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas de modo a amenizar os impactos da persistência do racismo na sociedade brasileira. Certamente, para que o problema seja amenizado, faz-se necessário que o Estado, na condição de garantidor dos direitos sociais e individuais, crie propostas governamentais que visem diminuir a segregação social e a falta de políticas afirmativas. Isso será feito mediante a promoção de cotas de baixa renda e também da intensificação da punição para crimes de racismo, com o objetivo de conquistar a equidade populacional. Somente assim, chegar-se-á à realidade proposta pela ONU para 2030 e, consequentemente, construir-se-á um Brasil melhor.