A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 25/11/2020

Em 2014, Cláudia Silva, negra, foi morta aos 38 anos e arrastada por 350 metros por uma viatura da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Seis anos depois, nenhum dos policiais acusados ​​do homicídio foram punidos. Com base nisso, infere-se que, apesar de o fato ter ocorrido há anos, a luta contra a persistência do racismo na sociedade brasileira ainda é presente. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de atuação governamental, quanto do preconceito racial enraizado. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de exercer a justiça e igualdade.

Em primeiro lugar, é inevitável pontuar que o problema deriva da baixa atenção dada pelo Estado, não que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, “o estado é responsável por garantir o bem-estar da população”, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Apesar dos esforços da comunidade negra para reprimir essa prática e lutar pelos seus direitos, o Governo ainda peca quanto a um plano de ação para o combate a tal crime. Note-se que, se não houver punições severas aos agressores, sempre irá ocorrer discriminação em relação à cor da pele, algo inadmissível para uma nação democrática. Desse modo, faz-se necessária a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar que o racismo é um preconceito fixado na comunidade e sem fundamento, uma vez que a diferença entre um afrodescendente e um branco é apenas a quantidade de melanina de cada organismo. Com base nisso, pode-se medir o nível de ódio que simplesmente uma fórmula química, números, excitam a violência física e verbal em um grupo de pessoas. Para evidenciar, inúmeros casos de assassinato vem sendo mostrados pela mídia, como o recente fato de João Alberto, homem que foi espancado até a morte pelos seguranças do supermercado Carrefour, persuadidos pelo sinônimo de negro ser bandido. Tudo isso, retarda a resolução do empecilho, já que a antipatia racial contribui para a perpetuação desse quadro.

Fica claro, portanto, que medidas são essenciais para conter o avanço da problemática na democracia brasileira. Dessa forma, com o intuito de abolir esse tipo de ação, necessita-se, imediatamente, que o Tribunal de Contas da União direcione o capital que, por intermédio da Secretaria de Cultura, será revertido em inclusão social e conscientização da população no que tange a importância da cultura afro-brasileira, por meio de palestras nas escolas e informativos em todas as mídias. Pela mesma razão, cabe aos Deputados Federais a elaboração de leis que punam com mais assertividade os agressores e empresas que compactuam com essa violência. Somente assim, será possível fazer justiça à Cláudia e João e por fim estabelecer uma igualdade plena.