A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 30/11/2020
O sociólogo Émile Durkheim definiu a sociedade como um organismo biológico cuja parte em disfunção ocasiona o colapso de todo o sistema. Sob tal ótica, a persistência do racismo na modernidade, sobretudo no Brasil, constitui um setor problemático do corpo social, o qual pode causar o colapso do sistema inteiro se não for combatido. Assim, tendo em vista a resolução do quadro, faz-se necessária a análise dos fatores que interferem nesse impasse.
A princípio, o tema em questão é fruto da falta de engajamento das mídias na luta antirracista. De acordo com George Orwell, a mídia tem grande poder de controlar a massa popular. Nesse viés, entende-se que os diferentes canais de comunicação devem exercer sua influência e propiciar a inclusão e a representatividade dos negros, quebrando com a supremacia branca originada do racismo estrutural, ainda bem presente na cultura brasileira. Entretanto, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os pretos e pardos são aproximadamente 13% dos jornalistas em postos formais no estado de São Paulo. Dessa forma, é notório que a imprensa ainda não contribui como poderia nessa situação e, consequentemente, há pouco progresso na ampliação e na introdução de ideias de igualdade e de liberdade.
Outrossim, a problemática supracitada deriva, ainda, da insuficiente participação da população não-negra. Isso ocorre devido aos resquícios atuais de uma cultura antiga extremamente escravocrata, a qual preponderou por séculos, em que brancos e negros estiveram socialmente segregados no Brasil. Com isso, a população manteve-se dividida ao longo da história e, por isso, hoje não há união suficiente entre as partes para o combate ao racismo. Consoante o pensamento de Jürgen Habermas, a sociedade é dependente da crítica às suas próprias tradições. Logo, caso tais tradições sociais não sejam revistas e modificadas, a luta antirracista será potencialmente fraca, o povo continuará desunido e formará um país pouco integrado e pouco igualitário.
Portanto, de modo a interromper a continuidade do racismo no Brasil, medidas exequíveis devem ser tomadas por agentes influentes. Primeiramente, cabe à mídia ceder mais espaço para a representatividade negra nesse setor. Isso deve ser feito por meio da disponibilização de mais cargos para esses indivíduos e de mais espaço para debates relacionados à causa antirracista – os quais devem conter especialistas no assunto discutindo essas temáticas – para que sejam disseminados ideais de igualdade em maior escala. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com as escolas públicas e privadas, promover aulas e palestras sobre a necessidade de transformar a cultura vigente, para que esta se torne mais inclusiva.