A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 30/11/2020
“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinados a amar”, esta frase foi dita por Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul e considerado um dos mais importantes líderes da “África Negra”. Ademais, o sentido empregado pela frase de Nelson torna-se impraticável, devido a persistência do racismo estrutural enraizado na sociedade brasileira e a desigualdade racial.
Em primeira análise, é importante enfatizar que apenas em 1888 o Brasil aboliu a escravidão, e mesmo assim foi o último país do continente americano. Porém, mesmo que no papel a escravidão tenha sido extinguida, nenhum direito foi garantido aos negros, e muitos permaneciam nas fazendas em que trabalhavam ou tinham como destino o trabalho pesado e informal. Um exemplo a ser citado de racismo estrutural é o caso de João Alberto, homem preto que morreu espancado por dois seguranças brancos em um supermercado no dia 19 de novembro, isto mostra como a injustiça racial está entranhada na sociedade brasileira.
Além disso, no Brasil houve um processo de sincretismo, em que a cultura nacional sofreu influência africana, europeia e indígena. Todavia, devido ao eurocentrismo, e a histórica colonização do país, há até os dias atuais uma exaltação dos brancos e um desprezo e preconceito com os negros. Prova disso são dados divulgados em 2020 pelo Jornal BBC News, que apontam os negros como vítimas em 75% dos casos de morte em ações policiais. Logo, é notória a necessidade de intervenções estatais a fim de garantir igualdade a todos os cidadãos.
Infere-se, que medidas sejam tomadas para que a situação-impasse seja amenizada. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação (MEC), órgão responsável pela elaboração e aplicação do Plano Nacional da Educação (PNE), deverá elaborar, por meio de leis orçamentárias, projetos em escolas e universidades, seguindo a linha de raciocínio de Nelson Mandela: “as pessoas podem ser ensinadas a amar”, a fim de conscientizar a nova geração sobre o problema, respeitando a constituição e garantindo direito à igualdade a todos.