A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 14/01/2021

O livro “Cidadã de Segunda Classe”, da escritora nigeriana Buchi Emecheta, retrata a personagem Adah, uma mulher negra que enfrenta a dura realidade do racismo, uma vez que imigra para uma cidade europeia predominantemente branca. Fora da ficção, também se faz presente a persistência do racismo na sociedade brasileira. Com isso, é preciso discutir dois fatores que ocasionam essa realidade, a discriminação amplamente difundida na sociedade e a negligência estatal.

A priori, é preciso pontuar que o racismo que permeia a sociedade brasileira é enraizado na formação cultural. Isso porque o preconceito é repassado através das gerações, devido à uma falsa ideia de superioridade branca advinda da era colonial e, esses valores de aversão à diversidade, são perpetuados. Dessa forma, pode-se assemelhar a “Teoria do Habitus”, do sociólogo Pierre Boudier, o qual acredita que os comportamentos são neutralizados por acontecer de forma anterior e exterior a quem os comete. Nesse contexto, as pessoas interiorizam a discriminação existente no meio e depois repassam para os outros, exteriorizando. Assim, ocorre a persistência do racismo, visto que é algo normalizado no cotidiano, podendo ser exemplificado através das injúrias raciais cometidas nas redes sociais, como foi o caso sofrido pela apresentadora de TV Maria Júlia Coutinho (Maju).

Ademais, outro fator que corrobora a persistência do racismo na população brasileira é a negligência do estado no combate do racismo. Apesar de haver normas que prevejam a punição desse tipo de crime, ela ainda é pouco aplicada. Segundo o portal de notícias G1, o crime de racismo ainda é de difícil comprovação judicial e o praticante do ato, muitas vezes, acaba isento. Além disso, a negligência no cumprimento às leis de combate ao racismo não passa somente pela punição ao crime, mas também pelo Estatuto da Igualdade Racial. Esse estatuto define que o ensino da história do Brasil tem que levar em consideração as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, mas isso não é respeitado no País, uma vez que pouco é trabalhado nas escolas.

Portanto, vista a persistência do racismo na sociedade brasileira é necessária medidas que revertam essa situação. Para isso, urge que o Ministério da Cidadania, órgão responsável pela promoção do desenvolviemnto humano, realize campanhas midiáticas, por meio de debates e palestras com sociólogos, relatando a importância e a necessidade de acabar com o racismo, transmitidas em rede televisiva, a fim de conscientizar a população sobre o respeito ao próximo. Ademais, cabe ao Ministério da Cidadania cobrar do MEC a garantia de trabalhar em aulas a disciplina referente ao ensino da história cultural afro-brasileira nas escolas, para poder formar cidadãos sem preconceitos. Assim, será possível que os negros do Brasil deixem de serem tratados como Cidadãos de Segunda Classe.