A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 15/12/2020

Em meados de 1888, foi redigida a carta que dava liberdade inerente a todos os escravos, fato esse que acreditava-se ser a extinção das diferenças entre brancos e pretos. Conquanto,  as devidas políticas de reinserções do povo liberto não existiram e os negros continuaram reféns de quaisquer condições inóspitas de vida ao qual eram submetidos, já que a libertação se deu somente nas vias legislativas, mas não na social, o que fomenta o racismo até os dias atuais. Dessa maneira, tendo em vista a população, em parte discriminatória que se encontra no país, deve-se analisar suas raízes: ora na instrução precária das pessoas, ora no fato social.

Em primeira lugar, é importante ter em conta que a educação é um dos principais pilares na construção de um país desenvolvido. Ademais, sabendo que o Brasil ocupa a nona posição na economia mundial, é racional pensar o país possui um sistema de ensino eficaz. Contudo, o quadro é exatamente o contrário e isso é refletido na negação do corpo social brasileiro à igualdade étnica, visto que isso se dá por conta da inferiorização e o não conhecimento da importância da cultura afro para a coletividade. Prova disso, é que ainda em 2019 a Universidade de São Paulo (USP) publicou uma pesquisa afirmando que nove em cada dez negros já sofreram algum tipo de racismo no Brasil, o que é preocupante.

Faz-se mister, ainda, salientar o comportamento impulsivo da população como um agravante do quadro indigesto da persistência na discriminação racial. Dessa forma, o filósofo Durkheim cita o “fato social” como um precursor dos comportamentos incrédulos, uma vez que uma criança não nasce racista, o pensador diz que o indivíduo é moldado ao longo dos anos pelo comportamento do meio. Assim, o cidadão, inserido em tal ambiente, passa a compreender o mundo ao seu redor de acordo com as convivências que tem na maioria do tempo, e nesse caso, fica claro como racismo persiste na sociedade pelo condicionamento da maioria que educa os menores de maneira errônea. Nesse sentido, fica claro como um Estado ausente deixa a sociedade à margem dos moldes do fato de Durkheim, fazendo com que ela se molde à vista do preconceito e não da educação correta.

Fica claro, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem  o acautelamento dos comportamentos racistas no Brasil. Dessa forma, urge que o Governo Federal, como instância máxima do Poder Executivo, atue em favor da população, através de projetos educacionais, por meio das disciplinas de sociologia e história, que fomentem a discussão sobre igualdade étnica no país. Logo, somente assim, mediante a educação, será possível reeducar as pessoas e quebrar o paradigma do “fato social” para que, então, todos possam ter um melhor convívio.