A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 08/12/2020

A escravidão formal de pessoas negras, no Brasil, perdurou por aproximadamente 4 séculos, até a Abolição em 1888. No entanto, mesmo após 132 anos, a liberdade, a valorização e o respeito à população negra não foram amplamente conquistados devido à persistência do racismo no imaginário social. Assim, a processo de formação histórico-cultural brasileiro e a segregação racial contribuíram para a impregnação de um conceito hediondo - “raça inferior”.

Nesse sentido, a ineficiência da sociedade em se libertar do preconceito, da intolerância e do ódio à cor da pele atrasa o desenraizar do racismo em meio à sociedade. De acordo com o filósofo John Locke: “O ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências”. Nesse sentido, ao logo dos séculos, os pais, a partir de concepções equivocadas repassadas pelos seus próprios pais, influenciam seus filhos à cerca de uma hierarquia social, na qual impera a supremacia do branco e a subjugação do negro. A exemplo, a tentativa de “branqueamento” da população brasileira com a atração de imigrantes estrangeiros brancos, ocorrida durante o 2º Reinado e as seleções de trabalho pela cor atualmente. Dessa forma, deve haver uma desconstrução dessa herança pré-estabelecida.

Outrossim, a indiferença do estado, no que concerne ao bem-estar da população negra, viabiliza a fragmentação da sociedade, excluindo-a. Na África do Sul, o Apartheid - regime de segregação racial - separou os negros dos brancos e condenou-os à marginalização. Embora findado, ainda existem fronteiras distópicas que configuram essa estrutura social, apesar de em menor escala. Sendo assim, a predileção que a pele clara ocupe a melhor vaga, receba o melhor salário, seja melhor zelado e o preconceito, a violência, e as ofensas destinadas à cor escura exemplificam tal fenômeno. Isso posto, o governo federal deve repensar seus deveres.

Urge, portanto, que o Ministério da Educação, apoiado pela mídia , explore a importância da união social e do respeito e valorização à qualquer cor de pele, através da criação e expansão de politicas de igualitarização nas escolas e nos meios de comunicação de massa, para destravar o pensamento crítico das crianças e dos adultos, afim de desconstruir o conceito de “raça inferior”. Além disso, o Governo Federal deve amenizar a distância entre o negro e o topo da pirâmide social, ao estender e fiscalizar as medidas de proteção e inserção no negro no meio social, como forma de reduzir a violência e garantir seus direitos. Desse modo, o racismo será passado, não mais presente, assim como a escravidão formal.