A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 22/12/2020

A abolição da escravatura, decretada em 1888 pela lei Áurea, garantiu a liberdade do negro no Brasil.Contudo, esses recém libertos careceram de políticas públicas de inserção social, deixando-os a margem da sociedade.Assim, essa desigualdade histórica favoreceu o racismo, realidade que persiste desafiadora, seja pela figura do negro como bandido, seja pelo racismo dos órgãos públicos.

De início, o esteriótipo do negro como marginal contribui para a manutenção do racismo. Sob tal ótica, de acordo com o conceito de “Indústria cultural”, teorizada pelo sociólogo alemão Adorno, a máquina de manipulação onipresente, atua na sociedade de forma a moldar os hábitos e ações dos indivíduos. Dessa forma, a relevância da mídia brasileira em abordar o afrodescendente como criminoso, e escassamente como protagonista, leva a população a internalizar o racismo, gerando a violência verbal e física com os negros.

Em segundo plano, é perceptível no país o racismo praticado por instituições públicas, órgãos que deveriam zelar pela igualdade de toda a população. Nesse sentido, a música “esteriótipo “, do artista Rashid, mostra o panorama da agressão policial em seu verso, " quando a definição de suspeito vem com uma tabela de cores”. Destarte, nota-se que a população afrodescendente no Brasil, constituindo a maior parcela de pessoas em situação de vulnerabilidade social, teme não só a violência do crime, mas também a da própria polícia. Por conseguinte, centenas de negros são mortos pela força policial brasileira, muitos deles sem nenhuma ligação com o crime.

Logo, urge que o Estado combata o racismo institucional, através da reformulação do treinamento policial, a fim de capacitar essa autoridade a priorizar o bem estar dos cidadãos e não apenas o patrimônio, para ocorrerem operações policias evitando vítimas. Ademais é preciso que o Conar, pelo seu papel de regulamentar a mídia, endureça a fiscalização de apologias ao preconceito, desconstruindo esteriótipos como o racismo.