A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 23/12/2020
A obra “Utopia”, do filósofo Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Sob outro ângulo, o que se observa na realidade contemporânea é oposto do que o autor prega, visto que existem barreiras as quais dificultam a concretização dos planos de More. À vista disso, destacam-se dois aspectos importantes como frutos desse cenário antagônico: o longo período de escravização e a tardia abolição da escravidão.
Mormente, é fulcral trazer à superfície discussões que ressaltem esses aspectos, afim do pleno funcionamento da sociedade brasileira não só no hodierno cenário, mas também ulteriormente.
Em uma primeira análise, é indiscutível que o longo período de escravização deixou sequelas na sociedade e que a marginalização para com os descendentes dos escravos é assídua e não é fiscalizada corretamente, o que deriva da baixa atuação dos setores governamentais, principalmente, no que concerne ao reconhecimento desta falha nas leis e na falta de criação de mecanismos que coíbam tal recorrência. Sob essa ótica, o pensador Thomas Hobbes defende que o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não acontece no Brasil.
Essa máxima, encontra-se deturpada do contexto atual, haja vista que o Poder Público não tem cumprido com eficiência seu papel, na forma como promove a educação e a inserção destes no mercado de trabalho. Destarte, uma mudança nos valores da sociedade é imprescindível para atingir o cenário idealizado por Hobbes.
Ademais, é notório que a tardia abolição da escravidão e a ausência de políticas públicas são impulsionadores do problema. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), menos de 10% da população se declara preta, enquanto mais de 40% da população se autodeclara branca (mais de 90 milhões de pessoas). Dessarte, reconhecer o racismo enraizado na sociedade brasileira contribui para a resolução deste quadro deletério.
Infere-se, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para mitigar o avanço da problemática na sociedade. Por conseguinte, é iminente que o Tribunal de Contas da União (TCU) direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação (MEC) e do Poder Executivo, será revertido na inserção de pardos, indígenas e negros no mercado de trabalho, através do investimento em novas empresas, com o fito de diminuir a desigualdade social.
Como resultado, hodiernamente e à longo prazo, o impacto nocivo será diminuído e, possivelmente, erradicado. Por consequência, a coletividade alcançará a Utopia de More.