A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 05/01/2021

“O Brasil sempre foi um moinho de gastar gentes, moeu doze milhões de negros africanos apenas para encher as mãos do europeu de ouro”. A frase proferida pelo antropólogo Darcy Ribeiro demonstra como a questão racial foi moldada historicamente no país. Nesse âmbito, no que se refere à persistência do racismo na sociedade brasileira, é possível afirmar que ele possui raízes sociais extremamente profundas e precisa, urgentemente, ser combatido. Assim, convém discutir as principais causas deste fenômeno no país.

Inicialmente, cabe ressaltar uma das razões deste padrão discriminatório pode ser explicada  instituições brasileiras. Nesse contexto, de acordo com o jurista Silvio Almeida, a escola tem representado uma destes locais, pois ensina um mundo histórico em que negros e negras não tem contribuições importantes na história e resumem-se a comemorar a própria libertação graças a bondade de brancos conscientes. Assim, não há dúvidas, se o modelo de ensino é discriminatório, ele não irá fomentará um debate social mais amplo e, consequentemente, reforcar a distinção entre indivíduos, como notadamente destaca Darcy Ribeiro.

Além disso, este problema é notado nas estruturas institucionais que continuam a perpetuar violências contra esta população, como canta o rapper Emicida: “os camburões são navios negreiros “. Nesse contexto, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, os jovens negros e periféricos são os mais encarcerados e alvejados pela polícia. Destarte, eles representam 65% da população carcerária brasileira, ou seja, mais de quinhentas mil pessoas. Por isso, é evidente que a sociedade e as autoridades precisam atuar, de maneira efetiva, para opor-se a este modelo, promovido desde o surgimento da nação.

Portanto, para combater o racismo persistente no país, é necessário maior atuação do Estado e da sociedade civil. Nesse sentido, o Governo Federal, por intermédio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, deve propor ações intersetoriais, por meio da criação de espaços permanentes em escolas e instutuições públicas e privadas, com o objetivo de debater e pensar formas de enfrentamento às desigualdades entre raças. Somado a isso, a mídia e as empresas de comunicação devem criar campanhas educativas, para dar visibilidade à questão racial. Espera-se, com isso, salvaguardar a vida e promover a dignidade de toda a população negra brasileira.