A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 06/01/2021
Na obra “Utopia”, de Thomas More, é proposta uma sociedade alternativa e perfeita, com ausência de conflitos e desigualdades sociais. Na trama, o personagem principal, Rafael Hitlodeu, narra sua viagem à República de Utopia e descreve aquela comunidade incrível que presenciou. Fora da ficção, porém, é evidente que a realidade é totalmente diferente, visto a persistência do racismo na sociedade brasileira. Sob esse viés, cabe analisar que esse cenário antagônico é fruto não só da negligência estatal, mas também de uma falha na base educacional.
A princípio, é essencial compreender como a negligência estatal contribui para a persistência do racismo no Brasil. De acordo com a Constituição Federal de 1988, previsto em seu artigo 5°, todos os cidadãos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. No entanto, é notório que tal lei não é cumprida na prática, visto que os negros ainda sofrem discriminação profunda na sociedade, sendo, muitas vezes, proibidos de acessar determinado local devido a cor da sua pele. Esse racismo acontece, ao mesmo tempo, de forma velada e óbvia, como no caso do assassinato da deputada Marielle Franco, negra e moradora da periferia. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, cabendo ao Estado uma intervenção efetiva sobre o imbróglio.
Outrossim, é importante destacar uma lacuna na base educacional como impulsionador da problemática. Segundo o economista britânico Sir Arthur Lewis, “educação nunca foi despesa, sempre foi investimento com retorno garantido”. Dessa forma, fica claro que a falta de investimentos no setor educacional contribui para a persistência do racismo, já que o indivíduo não é informado sobre a injustiça racial que advém desde o Período Colonial, e ao ver o racismo estrutural permeado nos bares, “shoppings” e nas ruas da cidade, considera aquilo como normal, perpetuando esse quadro deletério indefinidamente. Desse modo, faz-se necessário uma maior investimento na educação brasileira, de modo a obter o retorno garantido proposto por Lewis.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas para se combater esses obstáculos. Para isso, urge que o Poder Legislativo- órgão responsável pela elaboração de leis no Brasil - crie leis para aumentar a punição daqueles que infringem a Constituição cometendo o racismo, por meio de projetos para serem aprovados na Câmara, com a finalidade de acabar com a persistência do racismo na sociedade brasileira. Além disso, o Ministério da Economia deve realocar recursos para as secretarias educacionais, de modo a obter uma educação de qualidade para toda a população. Assim, a sociedade estará caminhando mais fielmente para a Utopia de More.