A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 09/01/2021

Na série “Todo Mundo Odeia o Chris”, é retratada a vida de um menino negro em um país dominado pela supremacia branca. Ao longo da trama, a narrativa revela que, embora negros tenham conquistado os mesmos direitos que os brancos e o fim da segregação racial, Chris ,ainda, é vítima de preconcencito por ser negro. Fora da ficção, fica evidente que a realidade representada nessa obra pode ser realaciona àquela do século XXI: a persistência do racismo na sociedade brasileira, que se dá em virtude das marcas deixadas pela escravidão no país, e que, hodiernamente, é reforçada pela ineficiência das política públicas em garantir o fim do racismo.

Convém pontuar, primeiramente, que os Europeus promoveram o tráfico negreiro - ação que visava transportar africanos para as colônias das metrópoles com intuito de usá-los como mão-de-obra escrava - sob o argumento que os africanos eram incivilizados, dado que tinham uma cultura tribal. Nesse sentido, essa ideologia pregada pelos europeus acerca da cultura de matriz africana deixou como herança histórica um racismo, que compõe no imaginário da papulação branca a concepção de que o indivíduo negro é inferior. Posto isso, os negros, em sua maioria, são marginalizados e vivem em condições subalternas, pois afrodescendentes são restringidos de direitos indispensáveis.

Ademais, é válido destacar, que o Estado falha em sua função de combater esse racismo estrutural e, consequentemente, em promover uma sociedade justa. Segundo a Constituição de 1988, o indíviduo tem direito à igualdade independente de gênero, sexo e etnia; entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, já que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE), os negros somam 75% entre a população mais pobre. Tal conjuntura, cria os mecanismos necessários para continuar promovendo a imagem de que negros são inferiores, dado que o Estado não toma medidas que sejam o suficiente para erradicar o preconceito no Brasil.

Portanto, urge que o Governo Federal tome medidas para amenizar os marcas deixadas pela escravidão e, assim, universalizar a igualdade. Para tanto, o Poder Legislativo deve criar um projeto de Lei, cuja  função será transmitir as quantias em dinheiro, oriundas dos pagamentos de multas por racismo, ao Ministério da Educação (MEC), que deverá investir campanhas de conscientização acerca da cultura afrodescendente, com a finalidade de que a população negra seja vista como igual à população branca; e, também, em projetos educativos para ensinar essa população oprimida de seus direitos e capacitá-los para o mercado de trabalho, para não sigam sendo três quartos da população mais pobre. Somente assim, será possível evitar que a história do Chris continue sendo um exemplo das dificuldades enfrentadas diariamente pelos negros.