A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 10/01/2021

Em 13 de maio de 1888, foi promulgada, no Brasil, a Lei Áurea, que previa a abolição da escravatura. No entanto, apesar de os afrodescendentes terem consquistado o direito de não serem escravizados, as consequências sociais ainda perduram. Atualmente, seja pela negligência estatal com a educação, seja pela baixa representatividade negra, o racismo, que é um entrave para o desenvolvimento social, persiste. Portanto, é necessário um debate entre o Estado e a população, com a finalidade de que os impasses existentes para a igualdade racial sejam sanados.

A priori, pode-se destacar a ideia da escritora francesa Françoise Héritier acerca de o mal começar com indiferença e resignação, visto que o Estado é displicente com a educação do país. Dessarte, os materiais escolares são despreparados para a valorização da cultura afro - brasileira, a exemplo do escritor Machado de Assis, que, por ter sido um renomado literata negro, possui suas fotos em livros didáticos esbranquiçadas. Acresce que, os professores são desqualificados para promoverem a desconstrução do que a filósofa Djamila Ribeiro, no livro “Manual Antirracista”, chama de “racismo estrutural”, isto é, falas e atitudes que, devido à normalização, a sociedade não as definem como preconceituosas. Por consequência, há a consolidação de um cenário de desigualdade racial.

A posteriori, convém ressaltar a frase do iluminista Voltaire sobre o preconceito ser uma opinião não submetida à razão, baseado na conjuntura de que a discriminação é responsável pela baixa quantidade de pessoas pretas em altos cargos públicos e privados. Dessa forma, apesar de os movimentos de resistência negra - como a Revolta da Chibata em 1910 - buscarem lideranças, novamente, o racismo estrutural,engendrado na mentalidade dos brasileiros, atrasa esse processo. Por conseguinte, assim como salientou o físico Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo a um preconceito, já que esse cenário contribui para que menos pessoas negras sejam eleitas e recebam oportunidades (como a de um estudo de qualidade). Assim, há, também, o desrespeito à Constituição da República Federativa do Brasil, que prevê igualdade a todos.

Diante disso, é evidente o descompasso entre o Estado e a população na resolução dos impasses existentes. Logo, urge, respectivamente, ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino, a reformulação dos materiais escolares, por meio das editoras, de maneira a valorizar a história da África e as peculiaridades dos países lá presentes, além da abertura de cursos sobre racismo estrutural aos professores,a fim de melhor educar a população; e ao Ministério da Cidadania, a criação de campanhas, na internet, que evidenciem a importância da representatividade negra, com o objetivo de oferecer oportunidades iguais a todos. Com isso, o racismo será, de fato, sanado.