A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 15/01/2021
Segundo dados do Ministério da Economia, em 2019, o governo federal gastou 70% a menos com ações de promoção da igualdade racial.Desse modo, é inaceitável que em um país de maioria negra ainda seja tratada de forma tão normalizada o racismo estrutural. Assim, é basilar que os brasileiros permitam que o senso de coletividade permeie as diversas esferas da sociedade a fim de desconstruir os cernes da herança histórica de centenas de anos de escravidão.
Em primeira análise, a rede varejista Magazine Luiza direcionou o seu programa de trainees apenas a candidatos negros. Nesse viés, percebe-se que essa louvável ação possuiu o intuito de estimular a Justiça Social a qual, procura estabelecer equilíbrio e garantias para pessoas que, historicamente, encontram-se em grupos excluídos pela sociedade. Diante disso, faz-se mister que os indivíduos cobrem e apoiem mais atitudes como essa das empresas para que as chances realmente alcancem um maior número possível de pessoas, derrubando as barreiras sociais. Assim, a representatividade negra alcançara cada vez mais cargos de maior poder e prestígio social, ajudando a combater o racismo estrutural.
Em segunda análise, o Brasil foi o último país livre da América a abolir a escravidão em 1888. Sob esse prisma, tantos anos de atrocidades criaram a normalização de atos inadmissíveis como a discriminação racial que privilegia os brancos em detrimento dos negros. Nesse sentido, é premente que ações individuais reflitam no coletivo por meio de posturas como a substituição de termos pejorativos como “denegrir”, cobrar ações políticas antirracistas e votar em candidatos negros. Diante disso, lentamente os afrodescendentes poderão ocupar um espaço no qual são ouvidos como merecem e devem. Afinal, dar voz a um passado repleto de dor e sangue é dever e dívida da sociedade brasileira como um todo.
Diante do exposto, a sociedade não pode esquivar-se da responsabilidade coletiva de promover um ambiente contra o racismo estrutural. Dessa maneira, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação promova, desde o início da educação, atitudes que valorem a cultura africana por meio de projetos que sensibilizem a comunidade para os malefícios do racismo estrutural. Desse modo, é esperado que tais mudanças reduzam a discriminação e o desnível socioeconômico entre negros e não negros.