A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 31/03/2021

Em sua coletânea de poemas, Navio Negreiro, Castro Alves denuncia e expressa os males da escravidão e o brutal tratamento direcionado aos cativos no século XIX. Analogamente, apesar da ampla contribuição africana para cultura nacional, o racismo ainda se faz presente na sociedade brasileira, mesmo após 132 anos da emissão da Lei Áurea, derivante do abandono e marginalização de ex-escravos e seus descendentes pelo governo e pelas elites, levando a conservação da injúria racial e o enraizamento de preconceitos.

Mediante ao elencado, como exposto na produção cinematógrafica “M-8: Quando a morte socorre a vida”, a qual narra a trajetória de Maurício, único estudante afrodescendente em uma renomada faculdade de medicina, alvo de ataques e desmerecimentos, em virtude da coloração de sua pele,  a populução negra se encontra condicionada a uma forte opressão, decorrente do racismo estrutural, fruto do escravismo, evidenciado desde comentários degradantes até atos de violência física, como exemplificado na agressão policial ao civil Jorge Floyde, em maio de 2020, devido ao estereótipo do homem negro como provável criminoso.

Ademais, torna-se percptível a constante discriminação em diversas esferas coletivas, sobretudo vertentes socioeconômicas, a exemplo da majotitária habitação de negros em bairros periféricos, correspondendo acerca de 70,8% de acordo a relatórios da ONU, além dos inúmeros obstáculos impostos a estas massas, que impossibilitam sua ascensão, tal como o precário acesso a edução e a falta de protagonismo nas mídias e cargos de poder.

Desta forma, visando a consolidação de um meio mais equitativo e a reparação histórica das desigualdades, torna-se necessário o desenvolvimento de “ações afirmativas” e execução da justiça social, através de programas compensatórios, objetivando a inclusão e o respeito as diferenças, como através das cotas no sistema educacional, proporcionando a inserção de pretos e pardos em espaços acadêmicos, além da promoção de uma maior vizibilidade das vozes negras, levantando em seus discuros a pauta racial, alavancando assim a criticidade sobre o racismo velado no Brasil.

Por conseguinte, é indubitável o combate ao preconceito, que mata, cala e oprime uma grande parcela da população. Sendo assim, tendo-se conhecimento que a educação é a base para mudança, cabe ao MEC o gerenciamento de debates entre professores e estudantes, possibilitando a formulação de um pensamento critíco e a reeducação de uma sociedade estruturalmente racista. Outrossim, a elaboração de capanhas pelo Ministério das Comunicações, por intermédio de recursos mídiaticos, verbais e não verbais, direcionadas a concientização popular e a motivação a denuncia de atos discriminatórios.