A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 22/06/2021

A minissérie da Netflix “Olhos que Condenam”, retrata o caso da “Corredora do Central Park”, em que cinco adolescentes negros foram condenados injustamente, por claro racismo institucional, pelo assalto e estupro de uma mulher que estava correndo no parque. Nesse viés, casos como esse são frequentes na realidade brasileira, visto que a discriminação racial está enraizada nessa sociedade desde o Brasil Colônia. Sob essa perspectiva, esta realidade se deve, essencialmente, a longa escravização de povos da origem africana, o que promoveu e sustenta até hoje a exclusão racial no país por meio do racismo estrutural.

É importante destacar, primeiramente, que a origem do racismo no Brasil se deu à longa escravização dos povos da origem africana e a tardia abolição da escravidão. No entanto, além da lenta supressão da escravatura, esta foi feita de maneira irresponsável, já que não se preocupa em inserir os escravos libertos na educação e no mercado de trabalho, resultanto em um sistema de marginalização que perdura até hoje. Dessa maneira, mais trabalho, mais violência e menos dinheiro traduzem uma dívida, que historicamente gera desigualdades, e como tal, precisa ser quitada.

Ademais, como consequência, esse fato promoveu e sustenta a exclusão racial até hoje, através do racismo estrutural. Nessa perspectiva, cabe ressaltar, que 78% dos pobres do Brasil e 65% da população carcerária é negra, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com dados de 2018. Ademais, cargos de menor habilitação e salário são de ocupação predominante dessa população, ainda de acordo com a pesquisa. Nesse sentido, depreende-se que os resquícios da escravidão, em uma perspectiva socioeconômico-cultural, nunca foram superados. A pobreza no Brasil tem cor e, inquestionavelmente, como consequências, estão a olhos vistos.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para mitigar a persistência do racismo na sociedade brasileira. Para que a aplicação das leis se decorra corretamente, urge que o Poder Legislativo e Judiciáro façam, por intermédio de verbas governamentais, um projeto que conte com a fiscalização adequada das leis de combate ao racismo e estabeleça punições cabíveis a todos, sem distinções ou privilégios, que cometerem tais crimes. Além disso, o Governo deverá investir em palestras e trabalhos educacionais, nos ensinos públicos e privados, que contribuam para a conscientização das crianças e jovens brasileiros. Somente assim, será possível evitar casos como o que foi abordado em “Olhos que Condenam” e chegar a uma sociedade justa e menos racista.