A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 13/04/2021

O artigo 5º da Constituição Federal de 1988 assegura que todo cidadão é igual perante a lei. Entretanto, fora do papel, o mesmo não acontece no Brasil, quando se nota a persistência do racismo na sociedade brasileira, em que a população negra sofre preconceito pela sua cultura e até mesmo é desmoralizada por sua cor de pele. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude do pensamento racista e da falta de debates na mídia sobre o assunto.

Em primeiro plano, vale salientar o pensamento racista como um forte empecilho para a resolução do problema. Conforme o sociólogo Émile Durkheim, o “fato social” é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da persistência do racismo é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto socialmente preconceituoso, a tendência é adotar esse comportamento também. Nesse sentindo, devido ao racismo estrutural, as pessoas de pele negra são constantemente desrespeitadas, com violências verbais e não verbais, intolerâncias religiosas e comentários racistas disfarçados de piadas, o chamado “humor negro” e tudo isso é normalizado pelo corpo social, o que dificulta a resolução do problema.

Ademais, cabe ressaltar a ausência de debates na mídia sobre o assunto como impulsionador para que o problema continue a perdurar. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população sobre o racismo, influência na consolidação do problema. Além disso, por conta dessa carência de discussão, o problema irá perpetuar na sociedade estruturalmente racista que compõe o Brasil, visto que se os meios midiáticos não combatem a problemática, a população sem conhecer sobre assunto, consequentemente, irá cometer o crime de racismo ou de injúria racial, na qual está descrita na Lei nº 7.716 e na Lei nº 2.848, respectivamente, o que torna a erradicação do problema ainda mais difícil.

Portanto, indubitavelmente, medidas têm que ser tomadas para conter o avanço dessa problemática. Para isso, O Ministério da Cidadania, em parceria com a mídia, deve criar propagandas acerca do tema, promover rodas de conversas nas escola e em espaços públicos e revigorar as leis que já existem ao combate contra o racismo no Brasil, por meio das redes sociais e emissoras de TV e por intermédio das instituições educacionais e projetos sociais, com profissionais da área atuando nesses locais, com matérias didáticos, com posts informativos, com rodas de conversas e com o apoio do Estado nessa luta, a fim de que a persistência do racismo na sociedade brasileira acabe. Dessa maneira, o que está previsto no artigo 5º irá ser concretizado no país.