A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 22/04/2021

O filme “Corra”, estreado em 2017, retrata a violência extrema sofrida pelo personagem princípal ao visitar a família da sua namorada, que aparentemente parecia tolerante, mas se mostra racista e criminosa com o passar do longa. Não longe da ficção, situações como essa podem ser percebidas na sociedade brasileira, ainda que de forma menos intensa, haja vista a persistência do racismo no país. Nesse sentido, a discriminação racial é um desafio e perdura devido não só à sensação de superioridade, mas também à impunidade do ato.

Em primeira instância, é válido ressaltar que o sentimento de superioridade presente em algumas pessoas é um dos motivos para a permanência do racismo no Brasil. De acordo com a teoria da Eugenia, cunhada no século XIX, existem características consideradas melhores e, portanto, a sociedade deveria estabelecer um controle com base nesses aspectos. Essa perspectiva, que foi influência para atos genocidas como o Nazismo, tem se mantido na atualidade e pode ser percebida em atitudes racistas, como comentários ofensivos, apelidos perjorativos e exclusão de atividades por conta da cor da pele. Dessa forma, é necessário que a sensação de superioridade seja combatida em todos os âmbitos, evitando a segregação e suas possíveis consequências.

Outra análise a ser discutida se dá na impunidade de atitudes racistas, que tem sido uma das causas para a continuidade do ato. A exemplo disso, Hanna Arendt traz o conceito de “Banalidade do Mal”, em que exemplifica que quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. A ideia apresentada está de acordo com a realidade vivenciada pelas comunidades negras, que sofrem preconceito diariamente por conta da sua cor e não têm âmparo na justiça para suas denúncias. Portanto, apesar da Constituição Federal de 1988 considerar as atitudes racistas como crime, a lei não é levada a sério e os agressores continuam impunes, o que possibilita a perpetuação da discriminação.

Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do problema. Logo, o Ministério da Cidadania juntamente com os princípais veículos midiáticos devem promover ações de combate à injúria racial, como vídeos informativos e documentários histórico-sociais, por meio de pesquisas de campo e entrevistas com comunidades negras. Esses vídeos seriam então divulgados amplamente na mídia, a fim de conscientizar, comover e informar a população sobre as origens brasileiras e a necessidade de respeitar às diferenças. Dessa maneira, a sociedade poderá viver em harmonia, ultrapassando mais uma barreira entre os povos.