A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 11/05/2021
A ativista estadunidense, Rosa Parks, em 1955, foi obrigada a se retirar de um ônibus, pois sentou em um lugar reservado para pessoas brancas. Hodiernamente, esse preconceito continua intrínseco no tecido social, por vezes de forma velada e silenciosa. Sob essa ótica, a inoperância escolar no ensino da cultura africana, bem como a intolerância e impunidade nas ruas, são fatores preponderantes para a persistência do racismo no Brasil.
É fundamental ressaltar, a princípio, a visão europeizada que é ensinada nos livros didáticos com relação aos negros. Nesse sentido, segundo Pierre Bourdieu, com a “Teoria do Habitus”, os padrões são impostos e reproduzidos na sociedade. Desse modo, percebe-se que o ensino a respeito à população negra, com a relação de que foram escravizados por sua força física, sendo esses sem intelecto, cria uma imagem distorcida e estereotipada de um povo tão importante para o país, que compartilhou suas crenças, comidas típicas, danças e cultura. Logo, é necessário um ensino crítico que valorize a herança cultural brasileira por ser miscigenada.
Ademais, convém relacionar que as atitudes de algumas pessoas revelam a raiz da intolerância. Exemplo disso são os diversos casos de cidadãos negros sendo chamados com apelidos pejorativos, porém, a impunidade continua a ser uma realidade diante de tal crime. Tendo em vista que a falta de punição fortalece ainda mais as atitudes discriminatórias, pois a justiça é branda, mesmo com a Constituição Brasileira de 1988 tratar crime de racismo como hediondo. Por conseguinte, os indivíduos sofrem com a discriminação racial e com a flexibilização da lei em favor do infrator, sendo reflexos disso a depressão, retração no convívio social e o desejo de se padronizar, não aceitando os seus traços fisiológicos, pelo fato da comunidade desprezar.
Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas a fim de desfazer essa raiz escravocrata e estigmatizada da população negra. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação, como instância máxima da esfera educacional, inserir na grade curricular disciplinas que retratem diversas culturas, inclusive a africana, mas não de forma vexatória, mas enaltecendo os seus valores e costumes, com o objetivo de ensinar aos discentes a importância de entender as diferenças e conviver com elas. Por fim, faz-se necessário que o Ministério da Justiça estabeleça um consenso na jurisprudência, sem a flexibilização da lei para crime de racismo e punir os infratores não só de forma coercitiva, mas também educativa, com trabalhos voluntários em comunidades com o maior índice populacional de pessoas negras. Assim, raça ou cor não será motivo para criar estereótipos, e sim para criar laços harmônicos.