A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 26/05/2021
No século XX, o sociólogo brasileiro Florestan Fernandes defendeu sua ideia sobre a democracia racial, a qual alertava sobre a falsa integração social entre negros e brancos, em que aqueles permanecem exclusos desde o período colonial. Nesse contexto, contata-se a persistência do racismo na sociedade brasileira, em virtude da normalização errônea da discriminação racial. Assim, é lícito afirmar que o preconceito enraizado e a negação da cultura afro-brasileira contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.
Em primeira análise, nota-se que as práticas racistas são cultuadas e mantidas no Brasil desde o processo de colonização. Nessa perspectiva, de acordo com pesquisa divulgada pelo jornal El País, mais de 70% das pessoas mortas em intervenções policiais são negras. Sob essa ótica, uma vez que muitos indivíduos acreditam na falsa ideia de superioridade branca criada pelos europeus, atitudes racistas, como injúria racial, agressões e até mesmo mortes, são justificadas apenas pela cor da pele – parda ou negra –, ou seja, sem que a vítima tenha cometido algum ato infracional. Dessa forma, muitos indivíduos são violentados baseado em uma farsa social.
Além disso, o ato de negar a interseção entre as culturas africanas e a brasileira contribui com a persistência do racismo. Nesse sentido, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 50% da população é declarada como parda ou preta. Por conseguinte, embora que a população não branca seja a maioria e a influência africana tenha deixado diversos legados, como na cultura e na mestiçagem, a intolerância racial incrustada na sociedade persiste em negar a herança africana, por meio de ofensas, de ataques às matrizes religiosas e da exclusão social devido somente à cor da pele. Desse modo, faz-se necessária a intervenção oficial.
Portanto, diante dos fatos supracitados, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, juntamente ao Ministério da Educação, promover a punição efetiva contra indivíduos que cometem atos racistas, por meio de discussões parlamentares no Congresso Nacional, em que a lei do crime racial seja aperfeiçoada e cumprida sem exceções, com o intuito de diminuir os atos discriminatórios. Ademais, o Ministério da Educação deve incentivar o estudo eficaz sobre a cultura africana nas escolas, incluindo suas influências no Brasil e sua história de resistência, e a divulgação dessas informações nas mídias sociais, com o intuito de contribuir com a desestruturação do racismo. Dessa maneira, haverá diminuição na persistência do racismo no Brasil.