A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 31/05/2021
Durkhein defendia que a sociedade prevalece sobre indivíduo. Nesse sentindo, o processo de imposição da lógica colonial escravocrata, ampliado pela crescente expansão da meritocracia, refletiu-se em um cenário conivente a desvalorização da herança sociocultural africana no Brasil. Desse modo, demonstrando, uma desigualdade estrutural incompatível com as necessidades democráticas.
Em primeiro lugar, cabe destacar o estigma social consequente do período de escravidão. A colonização brasileira foi impulsionada por uma grave crise econômica na Europa em centrada principalmente na busca pelo lucro, sendo a escravidão o pilar desse projeto. Essa estrutura sistematizou lógicas etnocêntricas, estabelecendo a superioridade da cultura europeia sobre a africana. Assim, gerando a sistematização de preconceitos como elementos culturais.
Em adição, deve-se considerar a incorporação da meritocracia como um elemento da índole do brasileiro com um complexo agravante. A abolição da escravidão foi conquistada mediante pressões externas, contudo, não houve nenhum projeto de inserção do afrodescendente recém alforriado na sociedade. Assim, reforçando ciclos de desigualdades que perpetuaram até o momento atual, intensificados pela visão pós-modernista da valorização do esforço pessoal como o único elemento significante na busca por melhorias. Assim, a crença na supremacia do mérito favoreceu um ambiente conivente com a inércia frente a ações inclusivas, corroborando com uma mentalidade racista contraditória aos princípios da igualdade garantidos por lei.
Todo esse cenário demonstra a urgência de ações afirmativas em busca do resgaste do significado da herança afro-brasileira. Portanto, é necessário que o Ministério da Educação adicione na matriz escolar desde os anos iniciais o estudo da cultura africana, assim como estímulo ao contato com aspectos relacionados a essa herança. Para tal, deve-se incentivar filmes, músicas, arte, literatura e excursões conectados a herança afrodescendente, de modo a resgatar a importância desse elemento da cultura brasileira em uma geração consciente e, dessa forma, promover uma coesão democrática.