A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 05/06/2021

A Declaração dos Direitos Humano explicita, no decorrer de seus artigos, os Direitos Fundamentais inerentes à pessoa humana, sem distinção de nenhuma natureza, principalmente de raça. Embora o Brasil seja signatário da referente Declaração, verifica-se, atualmente, situações antagônicas às propostas pela mesma, como o racismo. Tal problemática é fruto da consequência do pensamento eugenista do século XIX, aliada a inoperância da sociedade e do Estado frente à questão.

De início, é notório destacar a contribuição do pensamento eugenista pregado no século XIX perante ao racismo no Brasil contemporâneo. Isso porque o eugenismo suscitou movimentos de segregação racial por acreditar na inferioridade civilizatória dos negros, desenrolando, consequentemente, cenários sociais discriminatórios. Prova disso recai no branqueamento da população, idealizado pelo Estado no fim do século XIX, para extinguir, pacificamente, os negros da sociedade e torna-la, na visão eugênica, superior.

Ademais, cabe ressaltar que a inoperância da sociedade e do Estado, principalmente no início do século XX, proporcionou a continuidade do preconceito enraizado no país desde o início da escravidão. Esse panorama é visível no não cumprimento das premissas básicas para a passagem do escravo ao cidadão após a assinatura da Lei Áurea em 1888, o que estimulou a marginalização da população recém liberta, que, além de não obter apoio do Estado, também não o obteve da sociedade, visto sua condição ser considerada inferior.

Portanto, para combater o racismo que assola a Brasil até hoje, incumbe ao Estado promover a inclusão social da população negra marginalizada desde o Brasil Império a partir de políticas de cotas, tanto para universidades, quanto para oportunidades de emprego. É necessário também que a sociedade desvencilhe o complexo de superioridade da raça branca do pensamento e o substitua pela premissa de Martin Luther King: “Que o homem seja julgado pelo seu caráter, e não pela cor de sua pele”.