A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 09/06/2021

No filme “À Procura da Felicidade”, o protagonista, ao tentar buscar oportunidades financeiras para conseguir cuidar de seu filho, passa por diversos desafios e implicações impostas por uma sociedade racista e desigual. Fora da ficção, a realidade da população negra brasileira na contemporaneidade é semelhante, dado que essa parcela da população tem seus direitos negados e é constantemente excluída da sociedade, fator que fere os ideais de igualdade e democracia existentes em solo nacional. Isso ocorre devido à falha no sistema educacional em conscientizar a população e à falta políticas públicas eficazes para combate ao problema.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele, fala que expõe o papel crucial do sistema de ensino brasileiro na formação de cidadãos conscientes. Desse modo, a inexistência de projetos e aulas específicas para tratar sobre o racismo nas escolas brasileiras e conscientizar, tanto discentes como docentes, é um fator crítico para a propagação da problemática na sociedade brasileira, posto que, segundo pesquisas do Inep, um quarto das escolas públicas do país não abordam o racismo em sala de aula. Portanto, urge a necessidade de medidas para que seja possível transformar tal realidade.

Somado à isso, segundo o filósofo contratualista Jean Jacques Rosseau, a principal função do Estado é garantir a liberdade e igualdade para a população. Sob essa ótica, a partir do momento em que órgãos governamentais falham ao criar e aplicar leis de combate ao racismo em solo nacional e desenvolver ações de inclusão da população negra na sociedade, o mesmo não cumpre seu papel. Assim, urge a necessidade de que o Estado realize sua função de maneira eficiente para que seja possível atingir um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: a promoção o bem de todos os cidadãos, sem qualquer preconceito.

A partir dos argumentos supracitados, ações devem ser tomadas para efetivamente reduzir o número de casos de racismo em solo brasileiro. Desse modo, a fim de garantir a conscientização da população brasileira, de todas as faixas etárias, sobre o preconceito racial e a importância da inclusão, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com veículos midiáticos, realizar a contratação de profissionais da educação para desenvolver propagandas à nível nacional sobre a existência do racismo no Brasil e suas raízes, além de como ajudar no combate a esse problema. Com isso, será possível construir um país genuinamente inclusivo e livre de preconceitos com a população negra.