A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 07/08/2021

Desde meados do período colonial no Brasil, que começou no século XVI, o racismo tende a persistir na sociedade. Naquele período, negros eram considerados inferiores, manchados pela cor da pele, julgamentos esses proferidos com base em crenças preconceituosas, as quais permanecem ainda atualmente entre a população do país. Nesse sentido, percebe-se como a história é importante para a compreensão do momento e das ações presentes, o racismo é estrutural na nação tupiniquim e essa situação exige discussões para o seu entendimento.

Primeiramente, uma possível causa da permanência do racismo no Brasil é a intenção de praticar o revisionismo histórico, ou seja, mascarar o que ocorreu no passado das terras brasileiras, como a expressiva participação dos negros na formação da identidade destas terras. Segundo o filósofo Michael Foucault, diversos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas em soberania. Consoante a esse pensamento, conclui-se que a mesma situação ocorre no Brasil, pois a tentativa de manter invisível a contribuição de afrodescendentes tem como finalidade assegurar que as camadas privilegiadas e dominantes se sustentem no mando da sociedade.

Em segundo plano, percebe-se que as propagandas veiculadas nos meios de comunicação não criam comportamentos, mas sim, realizam a exposição deles. Nessa perspectiva, anúncios como os produzidos pela marca Nívea, por exemplo, revelam-nos como a sociedade impõe que a menor pigmentação possível da pele é o padrão que deve ser seguido. Logo, em outras palavras, ocorre a tentativa do branqueamento da população, com a interpretação de que a pele escura é sinônimo de impureza ou mesmo se remete a algo sujo. Assim, percebe-se como o enraizamento do racismo no contexto brasileiro é evidenciado de diversas formas e em diferentes acontecimentos nos dias de hoje.           Portanto, além da tentativa de invisibilizar a participação africana no país, as propagandas evidenciam também os pensamentos, ações e interpretações que perduram desde o período colonial brasileiro, ocorrido há mais de meio século, até a contemporaneidade do país. Além disso, algo ainda mais sério é a indiferença da população no que tange ao assunto do racismo, as pessoas, na maioria das vezes, se comportam em conformidade com a realidade, da mesma forma como ocorre no Mito da Caverna, de Platão, no qual os indivíduos temem sair de sua zona de conforto, por isso os cidadãos atualmente apenas invisibilizam e perpetuam a conjuntura do racismo no país.