A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 19/08/2021

O rapper brasileiro Baco Exu do Blues é conhecido por traduzir de maneira lírica as angustias da população negra do país, que vive ainda , no século XXI, as consequências de um passado escravocrata. Em conformidade, a sociedade contemporânea enfrenta grandes dilemas a respeito da persistência do racismo. Sendo assim, infere-se que essa problemática é decorrente da naturalização de ações que promovem segregação racial e da construção do sistema judiciário. Logo, é imprescindível que tal problema exposto seja revertido.

Em primeira analise, é válido retornar aos impactos da naturalização de práticas racistas no cotidiano do cidadão. Então, é pontuado que dentre os círculos sociais a segregação racial se instalou de tal forma que diversas condutas racistas passam despercebidas e são transmitidas de geração em geração. Assim, o escritor Silvio Almeida analisou, em seu livro “Racismo Estrutural” , que o racismo esta diluído na sociedade, sendo pautado nas instituições políticas e constituindo a cultura nacional. Dessa forma, a marginalização do povo negro é uma das bases da construção do país tupiniquim e os indivíduos que o compõem são responsáveis por perpetuar, ao decorrer dos anos e de maneira automática, normas e ações consolidadas no preconceito racial.

Outrossim, é imperativo pontuar que o sistema judiciário é responsável pela reiteração do racismo vigente. Ademais, observa-se, em primeiro plano, que a abolição tardia do sistema escravocrata acompanhou a exclusão social da mão de obra preta, visto que, não visou inserir essa população no mercado de trabalho. Em paralelo, houve a escrita de leis criminalizadoras da própria existência negra, como a Lei da Vadiagem, para encarcerar de maneira legal a população afro-brasileira. Assim como, nos dias atuais, os julgamentos jurídicos traduzem o olhar supremacista nacional e desenvolvem a conformação da hierarquia de classes. Portanto, a cidadania para essa população não é efetivada aos moldes da Constituição.

Em suma, medidas são necessárias para a resolução dos impasses da persistência do racismo no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação deve dar os primeiros passos por meio do ensino. Isso será feito por intermédio da efetivação da lei 10 639/03 que prevê as diretrizes do ensino da cultura afro-brasileira, com o fito de desenvolver indivíduos com consciência racial. Como medida paliativa, as escolas devem realizar palestras e seminários abordando o tema. Desse modo, o povo brasileiro dará os primeiros passos para arrancar as raízes do racismo de sua história.