A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 22/08/2021

O filme “12 Anos de Escravidão”, retrata a vida de Solomon Northup, um negro liberto, que em busca de melhores oportunidades de trabalho, é enganado e vendido como escravo. Em consonância com a realidade de Northup, está a de muitos brasileiros, já que a persistência do racismo na sociedade brasileira acarreta a segregação racial e a marginalização de uma parte da sociedade. Isso ocorre, seja pela realidade socioeducativa da população negra, seja pela ausência de ações governamentais que visem valorizar os afrodescendentes. Desta maneira, é imperioso que essa chaga seja resolvida, a fim de que as futuras gerações melânicas do país não sofram como Solomon.

Nessa perspectiva, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à configuração social e educacional dos negros no Brasil. Ao longo da história canarinha, o afrodescendente, foi colocado como o ser incapaz, ignorante, que executa trabalhos pesados, que deve ser isolado do convívio estudantil e dos serviços assistenciais básicos. Concomitantemente, o racismo se institucionalizou, ou seja, o negro passou a habitar regiões periféricas, onde os serviços gratuitos e obrigatórios, garantidos pela Constituição Federal, não chegam, deixou de ocupar cargos de alto escalão, além de apresentar-se em posições alarmantes quando o assunto é alfabetização. Tais fatos são evidenciados pelo IBGE, quando este assumiu que 1 em cada 5 negros vivem na zona rural e são analfabetos.

Paralelamente ao contexto social, é fundamental o debate acerca da ineficácia das ações estatais. Essa infrutuosidade se dá pela falta de planos que aspirem incluir o negro nos serviços de saúde, na formação profissional, nas atividades culturais e artísticas. Essa falta de atitude, corrobora com a teoria de Zygmunt Bauman sobre as “instituições fantasmas”, isto é, aqueles departamentos administrativos que não cumprem seu dever, à exemplo dos Ministérios. Assim sendo, é notório que o Brasil é um país com o terreno preparado para o racismo persistir, visto que, não valoriza a população que constituiu sua identidade cultural, predominantemente, nem busca dar melhores condições de vida para acabar com a segregação trabalhista, social e racial entre seus habitantes.

Portanto, é essencial que se discuta soluções eficientes para a reversão do problema. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, a disponibilização de cursos profissionalizantes exclusivos para afrodescendentes, por meio de parceria com o Ministério da Cidadania, com o objetivo de formar conhecimento científico de qualidade para que o mercado de trabalho receba negros capacitados e consequentemente, estes deixem suas realidades de mazelas sociais, já que a educação é o único meio para acabar com quaisquer desigualdades. Somente assim, pode-se cessar o surgimento de casos como o de Solomon no Brasil.