A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 14/10/2021

No livro ‘’Casa-grande e senzala’’, o sociólogo Gilberto Freyre apresenta o Brasil como uma democracia racial, fruto da miscigenação no Período Colonial. Essa teoria, no entanto, mostra-se equivocada, visto que, não obstante a diversidade étnica do país, o problema do racismo ainda atua, embora de forma velada, nas bases culturais, o que resulta na perpetuação de desigualdades entre brancos e negros.

De fato, o preconceito contra afrodescendentes, no Brasil, se dá de forma menos perceptível do que em outros países, como os Estados Unidos, o que cria a falsa noção de que o racismo verde-amarelo inexiste. Porém, essa crença popular, conforme explica o sociólogo Darcy Ribeiro, além de ser errônea, contribui para que o problema seja encoberto por mitos, como o da democracia racial, amplamente defendido por Freyre. Com efeito, tal ilusão minimiza, aos olhos da população, a necessidade de se tomar medidas que combatam o preconceito e postergando, assim, a sua solução.

Consequentemente, cria-se uma estrutura social desigual na qual os brancos são privilegiados em detrimento dos negros. Isso é evidenciado pelos dados de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os quais demonstram que a diferença salarial entre afrodescendentes e brancos chega até 73%. Nesse sentido, a disparidade gritante aponta, mais uma vez, para o equívoco da tese da democracia racial, porquanto as diferenças entre as etnias continuam presentes, inclusive, nas condições econômicas e, assim, dificulta o combate ao preconceito contra pretos, que passam a ser vistos como inferiores por uma parcela significativa da população.

Portanto, a existência de um racismo menos explícito, no Brasil, contribui para a manutenção das desigualdades étnicas e, logo, para a continuidade desse problema. Por isso, é necessário que a mídia, por meio da produção de novelas e séries que retratem e expliquem o preconceito velado, desmantelem o mito da democracia racial, conscientizando a população acerca do tema. Em seguida, caberá a empresários, visando à redução das desigualdades raciais, a concessão de oportunidades a afrodescendentes, o que possibilitará a ascensão social do grupo e, dessa forma, a luta contra o preconceito. Com isso, a tese de Freyre deixará de ser um mero equívoco e aproximar-se-á da realidade.