A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 26/04/2022

A obra “A história Secreta das Plantas”, da artista angolana Alida Rodrigues, utiliza fotografias da Era Vitoriana, prática popular entre as classes abastadas, para desconstruir as lentes de um período desigual, hierarquizado e brutal. Para isso, sobrepõe o rosto dos indivíduos com figuras de flores e folhagens, evocando questões de identidade e falta de representatividade negra. Ao transcender o contexto literário, é notório que a hierarquização de classes e a invisibilidade de comunidades raciais persiste no país. Dessa forma, é imprescindível analisar o agente que vigora o racismo no Brasil, bem como os males dessa prática.

Nesse viés, vale pontuar a exclusão social de agrumentos étnicos-raciais na sociedade como principal malefício do racismo. Tal fato ocorre pois o racismo institucional, termo explicitado pelo filósofo Silvio Almeida, determina a autopreservação de etnias nas instituições, a fim de manter agrupamentos hegemônicos. Diante disso, é perceptível que essa estruturação de poder ocasiona a naturalização de olhares discriminatórios e, consequentemente, isola minorias, dado que apesar de 56% da população brasileira se declarar negra, sendo a maioria, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), esse percentual não se perpetua nas corporações sociais.

Portanto, torna-se fundamental adotar medidas para mitigar a permanência de práticas racistas no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos humanos- órgão responsável pela inclusão de minorias - junto ao Ministério da Educação, efetuar a divulgação de informação sobre os males do racismo, por meio da criação de um Projeto Nacional de Incentivo a Igualdade Racial, o qual irá promover palestras e debates no âmbito escolar acerca da importância de erradicar a distinção entre raças, com a finalidade de desconstruir noções errôneas. Dessa forma, assim como na arte “História Secreta das Plantas”, será desconstruido a estruturação de uma época marcada pela hierarquização de grupos na sociedade brasileira.