A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 27/09/2023
No século XX, na África do Sul, vigorou a política de segregação social, conhecida como ‘‘Apartheid’’, que consistia na discriminação contra negros no país, por intermédio na anulação dos seus direitos civis, políticos e sociais. De maneira análoga, no Brasil, durante muito tempo, essa população também foi destituída de cidadania e, mesmo com as lutas do movimento negro, hoje, é evidente a persistência do racismo na sociedade brasileira, devido o preconceito velado e tendo como consequência o agravamento das desigualdades.
A princípio, é importante salientar que a naturalização das práticas discriminatórias ocorre devido ao racismo velado. Inserida nesse contexto, há a tese de ‘‘Violência Simbólica’’ do sociólogo Pierre Bourdieu, o qual analisa as diversas formas de ações violentas e como essas são vistas de maneira normal pela sociedade. Sob tal ótica, pode-se ressaltar que muitos indivíduos realizam, frequentemente, atos racistas e não se dão conta do quanto é uma ação prejudicial, tendo em vista o preconceito se enraizado na sociedade brasileira como ‘’natural’’. De fato, é nítida a veracidade desses comportamentos ao observar, por exemplo, a constante abordagem policial contra negros , além da reprodução de expressões racistas, tais como: ‘‘cor do pecado, denegrir e mercado negro’’.
Ademais, é imprescíndivel avaliar as consequências da mitigação dos atos preconceituosos. Nesse âmbito, cabe pontuar a perpetuação das desigualdades, visto que as relações de domínio pelos homens brancos são mantidas. Diante isso, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a renda mensal dos negros equivale a apemas 57,4% dos brancos. Com efeito, isso é observado na insuficiente representatividade de médicos, engenheiros, advogados ou políticos negros, o que evidencia a discrepância na garantia de cidadania aos pretos.
Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para alterar essa realidade nociva. Para tanto, urge que o Ministério da Cidadania e as escolas e universidades -instituições formadoras de opniões- promovam debates amplos e constantes, por meio de seminários e feiras culturais nos ambientes educacionais, a fim de mostrar aos indivíduos a importância de garantir o respeito e igualdade de oportunidades a essa parcela social. Além disso, o Ministério da Educação deve efetivar a garantia das cotas nas faculdades, objetivando ampliar a inserção do grupo no mercado de trabalho. Assim haverá uma sociedade em que os negros terão sua cidadania assegurada.