A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 16/04/2024
Carolina Maria de Jesus, um dos grandes nomes da literatura brasileira, fez uso de seus livros e poemas para denunciar a discriminação que sofreu, tendo consciência de que, sendo uma mulher negra e favelada, ocupava a parte mais marginalizada da sociedade. Na obra “Diário de Bitita” Carolina escreveu a frase “O negro só é livre quando morre”, apesar de ser de 42 anos atrás, ainda se mostra real, explicitando a persistência do racismo na sociedade brasileira. Essa subsistência se deve principalmente ao racismo estrutural, consequência de uma herança colonial escravocrata e ao mito da democracia racial.
O Brasil que conhecemos hoje foi construído por meio de um processo absurdamente violento que trouxe junto de si a imposição da superioridade da cultura e visão de mundo do colonizador europeu que, por sua vez, rebaixou o africano a uma condição de não-humano e difundiu uma percepção de valor deturpada sobre esse povo. Com a abolição da escravidão direcionada a fins unicamente econômicos, nenhuma política pública foi desenvolvida para a integração da população negra, que foi marginalizada e não teve espaço para desenvolver sua autonomia. Os efeitos da exclusão de pessoas negras ecoam até hoje, refletindo um racismo enraizado que estruturou as bases da sociedade brasileira e está presente na educação, na cultura, no mercado de trabalho, na política, nas instituições públicas e privadas e em todos os aspectos sociais.
O discurso da democracia racial, por sua vez, corroborou com o negacionismo do racismo na sociedade brasileira, de forma a atrasar a conscientização acerca do tema e o combate do mesmo, além de dificultar a criação de uma identidade para pessoas negras de modo que muitas delas não se reconhecem como tal até a atualidade. Com isso temos a construção da sociedade brasileira que afirma que o racismo existe no país porém, em sua maioria, não se reconhece como racista.
Solucionar o racismo no Brasil de maneira imediata é algo inexecutável, pois esse preconceito está nas raízes socioeconômicas do país, porém é essencial a continuidade e fortalecimento de medidas governamentais voltadas para a inclusão da população negra e projetos educacionais responsáveis por desmistificar a história do Brasil, ressaltando a história para que ela não se repita.