A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 15/04/2024
A música “Identidade”, do sambista Jorge Aragão, faz uma associação entre as violências sofridas pelas pessoas escravizadas e a divisão do elevador social e elevador de serviço, que, metaforicamente, expressa a desigualdade entre brancos e negros na estrutura social brasileira. Tal tipo de divisão é consequência da persistência do racismo no Brasil. Essa permanência se dá pela herança escravocrata da colonização e pela histórica falta de cuida e amparo às populações de ex-escravizados.
Primeiramente, nota-se que 400 anos de tráfico e escravização de pessoas trazidas do continente africano deixaram marcas profundas nesta e em seus descendentes. Tal como discutiu o sociólogo Florestan Fernandes, as culturas de dominação social do período colonial se preservaram no processo de modernização, pois, até hoje, pessoas negras sofrem com manifestações de ódio discriminação e segregação socioespacial.
Nesse âmbito, durante muitos anos, pouco se construiu em termos de políticas de reparação para que esta cultura se modificasse. Boa parte da população negra permaneceu sem acesso à habitação, ocupando às periferias da cidade, em trabalhos muitas vezes precarizados. Embora tais populações sejam maioria no Brasil e sua cultura esteja inserida em diversas áreas como, por exemplo, a música; a culinária e a religião, ainda sim, estas permanecem excluídas da sociedade brasileira.
Portanto, é necessário que haja investimento e aprimoramento em políticas de reparação e inclusão, como aquelas que vem sendo propostas pelo Ministério da Igualdade Racial.