A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 15/09/2024
Mesmo após mais de um século da abolição da escravidão a população negra segue, intensamente, em descrédito no que se refere as estruturas sociais brasileiras. De acordo com o site Super Interessante, 53% da população é negra, mas são 71% das vítimas de assassinato. Números como esses demonstram a persistência do racismo na sociedade brasileira. Nesse sentido, medidas estratégicas precisam ser tomadas para atenuar essa situação, que possui como causas o fator histórico e o individualismo.
Deve-se pontuar, em primeiro plano, o fator histórico como empecilho. De acordo com o sociólogo Claudé Strauss, só é possível interpretar adequadamente o comportamento social pelo entendimento de eventos históricos. Ao observar a história do Brasil, é possível achar uma causa do problema, pois desde a colonização a escravidão estigmatizou índios e negros, assim, costurando o racismo na estrutura social brasileira. Dessa forma, mesmo com medidas contra o racismo, a problemática apresenta raízes na história, dificultando sua dissolução.
Além disso, o individualismo apresenta-se como outro forte agravador. O filósofo e sociólogo Zygmunt Baumann criou o conceito da “modernidade líquida”, em que cada vez mais os indivíduos estão centrados em si mesmos e afastados do pensamento coletivo. Dessa maneira, é fácil observar esse conceito presente na sociedade brasileira, em que, mesmo o racismo sendo uma pauta amplamente discutida, é ignorada diante um individualismo preponderante, fazendo com que as pessoas não se coloquem no lugar do outro e atuem de forma efetiva, ao passo que, atitudes como essa atenuam a constância do racismo no Brasil.
Convém, portanto, que tais entraves sejam solucionados. Para que isso ocorra, é papel do MEC incluir obrigatoriamente no cronograma escolar debates sobre o racismo nas aulas de sociologia e palestras com essa temática desde a base de ensino, com objetivo de atenuar o racismo estrutural presente na sociedade. Ademais, também é válido a adoção do discurso sobre individualismo nas escolas, ensinando crianças e adolescentes sobre o que é e os efeitos que geram na sociedade e na persistência do racismo. Dessa forma, a médio prazo, a continuidade do racismo deixará de fazer parte do social brasileiro.