A perturbação do sossego e a ausência de empatia com o próximo
Enviada em 05/10/2025
“Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação.” Nesse trecho da música “Que país é este?”, da banda Legião Urbana, há a denúncia acerca de diversos problemas sociais. De forma análoga, na realidade brasileira, a persistência da perturbação do sossego alheio evidencia que a negligência governamental e a invisibilidade midiática são desafios que impedem a sua resolução.
Em primeiro plano, de acordo com a Constituição de 1988, direitos básicos são assegurados à população, como dignidade e saúde. Entretanto, essa prerrogativa constitucional não se manifesta de maneira eficaz, haja vista a persistência de desafios relacionados à perturbação do sossego. Tal constatação ocorre porque há uma nítida negligência governamental perante o problema, pois não se observam uma fiscalização efetiva da chamada “Lei do Silêncio” nem canais de denúncia ágeis para coibir os abusos sonoros. Desse modo, inúmeros indivíduos sofrem com estresse crônico e problemas de saúde mental, e têm, infelizmente, o direito à dignidade ferido.
Ademais, segundo o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse sentido, observa-se que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população sobre a importância da empatia e do respeito ao próximo, lamentavelmente reforça a invisibilidade do problema, já que — em redes sociais e programas de TV — o assunto é frequentemente tratado como um conflito individual, e não como um problema coletivo de saúde pública. Com isso, a sociedade, desinformada e desmobilizada, não pressiona por soluções, o que resulta na perpetuação de um ciclo de violações e descaso.