A perturbação do sossego e a ausência de empatia com o próximo
Enviada em 04/10/2025
Na Grécia Antiga, Aristóteles já defendia a importância da vida em comunidade equilibrada, baseada na harmonia e no respeito mútuo. No entanto, no Brasil contemporâneo, a perturbação do sossego tem se consolidado como um problema recorrente, que revela não apenas falhas sociais, mas também uma preocupante carência de empatia nas relações humanas. Esse cenário se manifesta, sobretudo, pela naturalização de comportamentos ruidosos que comprometem a convivência coletiva e pela omissão de mecanismos eficazes de conscientização.
Nesse sentido, observa-se que a ausência de empatia contribui para o agravamento do problema, na medida em que muitos indivíduos ignoram os impactos de suas ações sobre os outros. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em “Leviatã”, a vida em sociedade exige contratos sociais que limitem liberdades individuais em prol do bem comum. Assim, ao desrespeitar o direito ao silêncio alheio — seja com festas em volume excessivo, veículos barulhentos ou obras em horários inapropriados —, o sujeito rompe esse pacto tácito de convivência. Logo, a falta de alteridade gera um ciclo de incômodos e conflitos sociais.
Além disso, a insuficiência de campanhas educativas e de políticas públicas efetivas acentua esse quadro. Conforme o artigo 225 da Constituição Federal, todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, o que inclui a dimensão sonora, mas esse direito frequentemente é negligenciado. Em muitas cidades, a fiscalização da poluição sonora é falha, e a população carece de informações claras sobre seus limites legais e sobre como denunciar abusos. Desse modo, a ausência de iniciativas institucionais que orientem e conscientizem a sociedade impede a formação de uma cultura de empatia.
Portanto, a perturbação do sossego e a ausência de empatia com o próximo constituem entraves à convivência harmônica. Assim, faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com escolas públicas e privadas, implemente projetos de cidadania sonora campanhas pedagógicas que enfatizem a importância do respeito mútuo, a fim de formar cidadãos mais empáticos e conscientes dos direitos coletivos. Paralelamente, os órgãos municipais de fiscalização ambiental devem intensificar a aplicação de multas e a divulgação dos canais de denúncia.