A perturbação do sossego e a ausência de empatia com o próximo

Enviada em 12/04/2026

Vivemos em uma sociedade cada vez mais acelerada e individualista, onde o direito ao sossego entendido como o direito à tranquilidade, ao descanso e ao bem-estar é constantemente violado. A perturbação do sossego não se resume a barulhos altos ou festas madrugada adentro ela revela, sobretudo, a ausência de empatia com o próximo. Quando alguém coloca o som no último volume às três horas da manhã, buzina insistentemente no trânsito ou realiza obras sem qualquer cuidado com o horário, não está apenas gerando incômodo: está demonstrando que o conforto próprio vale mais do que o direito alheio de viver em paz. Essa falta de consideração transforma o convívio urbano em um campo de pequenas violências diárias.

A ausência de empatia surge, em grande parte, da cultura do “eu primeiro”. Nas grandes cidades brasileiras, como São Paulo, o ritmo frenético da vida faz com que muitas pessoas se desconectem do impacto de suas ações sobre os outros. O vizinho que ensaia música alta às 22h, o motorista que liga o escapamento esportivo às 6h da manhã ou o grupo que promove churrasco com som no talo durante o domingo inteiro parecem ignorar que, do outro lado da parede, há alguém tentando dormir, estudar para uma prova ou simplesmente descansar após um dia exaustivo.