A perturbação do sossego e a ausência de empatia com o próximo

Enviada em 12/04/2026

A perturbação do sossego e falta de empatia

Para vivermos bem em sociedade, precisamos de duas coisas básicas: respeitar o espaço do outro e saber se colocar no lugar dele. Quando isso falta, surge a perturbação do sossego — que não é só barulho, mas sim a consequência da falta de empatia. Viver em grupo significa saber limitar os nossos desejos para o bem de todos; se não fizermos isso, prevalece o individualismo e a desordem.

O filósofo Rousseau já dizia que a verdadeira liberdade existe quando há direitos iguais para todos. Fazer muito barulho, bagunçar ou simplesmente ignorar o sofrimento alheio quebra esse acordo. O outro deixa de ser um parceiro de convívio e passa a ser visto só como um incômodo. É o “eu” se colocando acima do “nós”.

Na literatura, vemos isso claramente em “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto. O Major Quaresma, apesar de ser um homem bom e patriota, sofre muito com a frieza e a incompreensão dos vizinhos. Ele é ridicularizado e abandonado, mostrando como a falta de carinho transforma a vizinhança em um lugar hostil. Naquela época, as pessoas preferiam ignorar o outro a tentar entendê-lo.

Carlos Drummond de Andrade falava que, embora o mundo seja velho, sempre nascemos novos. Isso nos lembra que, por mais que a tecnologia mude, ainda precisamos de afeto. A perturbação, seja de som ou de sentimentos, vem justamente da nossa dificuldade de sentir o que o outro sente. O barulho do nosso egoísmo é tão grande que não conseguimos ouvir quem pede ajuda.

Por isso, garantir a paz vai muito além das leis. É uma questão de humanidade. Respeitar o silêncio e a paz do outro é respeitar a vida. Como disse Fernando Pessoa, o poeta sabe fingir a dor tão bem que parece real. Se somos capazes de entender a dor na arte e na poesia, deveríamos ser capazes de sentir também no nosso próximo, construindo assim um mundo mais calmo e mais justo.