A perturbação do sossego e a ausência de empatia com o próximo
Enviada em 08/08/2026
Para Kant, a ética se baseia na boa vontade do indivíduo, independentemente dos interesses particulares. Nesse sentido, o país vivencia experiências desagradáveis envolvendo a perturbação do sossego alheio, o que reflete a fragilização da empatia no conceito kantiano. Tal cenário está diretamente ligado ao emprego da hostilidade coletiva e ao enfraquecimento das relações comunitárias.
Sob esse viés, a perturbação do sossego alheio pode indicar ausência de empatia ao próximo, e isso configura uma parte do caráter humano, ou seja, essa é uma característica que parte da individualidade e, até onde se tem conhecimento, não é algo que pode ser alterado por agentes externos. Diante disso, Thomas Hobbes entende que o Homem é mau por natureza e cabe ao Estado impor um ambiente que controla os impulsos ruins das pessoas. No que concerne à desconsideração pelos momentos/espaços de placidez de outrem, o conceito de Hobbes indica que, nesse caso, para manter a ordem pública, a responsabilidade recai sobre o poder público. Nesse contexto, vê-se que quando a boa vontade não parte do indivíduo, devem existir mecanismos que estimulem tal iniciativa.
Ademais, sabe-se que o comportamento humano é, em grande parte, influenciado pela cultura em que está inserido, ou seja, os valores que guiam o indivíduo a não perturbar o sossego alheio influenciam as relações comunitárias. Diante de tal cenário, na cultura japonesa, os pilares da harmonia social, Wa e Omoiyari, pregam a empatia, equilíbrio e conformidade dentro de um grupo. No que se refere ao comportamento atrelado à tradições, o Japão, por valorizar os espaços e momentos de complacência da população, a organização e a civilidade se tornam mais respeitosas. Nessa perspectiva, países marcados pela violência e desigualdades, como o Brasil, enfrentam, até a atualidade, dificuldades em fortalecer a empatia e as relações comunitárias.