A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 05/01/2021
A Constituição Federal de 1988 estabelece como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, constatados no artigo 3, o pleno desenvolvimento nacional. Contudo, nota-se que o gerenciamento dos investimentos da nação está sendo feito de modo imprudente, visto que está assegurado na Carta Magna, pois tal setor é essencial para o progresso do país. Logo, é válida a análise da negligência governamental à pesquisa científica nas universidades brasileiras, com desta´que às causas e consequências dessa postura.
Em uma primeira vista, evidencia-se que a falta de dinheiro público aplicado à produção científica universitária é decorrente da desvalorização do conhecimento como elemento de valor. Nesse viés, segundo Aristóteles, filósofo grego, o conhecimento é essencial para que o indivíduo atinja a plenitude de sua essência humana, pois sem o conhecimento, nada o separa do restante dos animais. Tendo isso em vista, a ausência de políticas públicas que promovam o avanço da pesquisa e da inovação são constatadas pela atitude de indiferença do Estado perante a carência na difusão e ampliação do saber, a qual, de acordo com o artigo 205 da Lei Maior, é dever dele. Assim, fica claro que, uma vez que a educação não é priorizada, tampouco a ciência e a pesquisa serão, tornando os brasileiros segundo a visão de Aristóteles, semelhantes à animais selvagens.
Ademais, por consequência do não estímulo à pesquisa científica nas universidades, muitos cientistas abandonam o país para exercer seus ofícios em outros lugares, a chamada fuga de cérebros. Nessa ótica, Pablo Neruda, escritor chileno, afirma que as escolhas são livres para serem feitas, mas as consequências destas são inevitáveis. Permanecendo na pespectiva do pensador, o imprudente posicionamento estatal frente a lacuna entre os cientistas e a verba necessária para as pesquisas resulta em uma diáspora de crânios, pessoas intelectuais insatisfeitos, o que gera uma estagnação do avanço nacional.
Depreende-se, portanto, a necessidade em criar-se medidas para incentivar a produção científica no cenário brasileiro. Dessa forma, o Poder Legislativo, por meio da criação de leis, deve impor que seja investido um valor mínimo nos laboratórios universitários, quantia essa que deve ser anualmente injetada na verba dos intitutos de ensino superior públicos. Dessa maneira, a finalidade de prover os recursos financeiros necessários para os laboratórios funcionarem plenamente será efetivada, assim como a redução do movimento imigratório dos cientistas brasileiros, pavimentando o caminho para uma nação desenvolvida.