A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 04/01/2021

No poema “Meio do caminho”, o escritor modernista Carlos Drummond de Andrade, relata, de forma metafórica, as pedras no caminho que a sociedade encontra no cotidiano. Observa-se que as pedras descritas no poema são presentes na atual conjuntura da malha social, uma vez que o baixo investimento em pesquisa no Brasil configura-se como um óbice no desenvolvimento do país. Cabendo analisar tanto a negligência estatal, quanto a apatia social como fatores determinantes dessa problemática.

Primordialmente, é imprescindível destacar que o impasse deve-se, principalmente, à omissão do Estado, uma vez que não executa, de forma satisfatória, o direito pleno à edudação de qualidade, conforme previsto na Constituição Federal de 1988. À vista disso, tanto o Ministério da Educação quando o Ministério da Ciência e Tecnologia, falham pela falta de políticas públicas eficazes em garantir investimento em pesquisa científica, indo contra princípios constitucionais positivados.

Ademais, cabe ressaltar que a apatia social contribui para a insuficiência das ações estatais. Isso ocorre, porque a a desmobilização de movimentos sociais e a falta de cobrança coletiva de forma organizada comprometem a negligência estatal, não debatendo sobre a falta de investimento em pesquisa científica no Brasil. Dessa forma, rompe-se os princípios da Carta Magna, já que a letargia estatal em promover condições favoráveis aos pesquisadores compromete o desenvolvimento tecnológico e, assim, a soberania nacional. Logo, torna-se imprescindível a efetivação de políticas que alterem essa condição.

Torna-se importante, portanto, ações que mitiguem o baixo investimento em pesquisa científica no Brasil. Para isso, é necessário que ocorra uma alteração da sociedade civil organizada - a partir da representação junto ao Ministério Público - na cobrança de atuação do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência e Tecnologia frente ao aumento do investimento em pesquisa científica no Brasil, através da criação do Plano Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, visando construir laboratórios em todas as escolas no território nacional, intituindo uma carreira de cientista nas universidades e fomentando financeiramente pesquisadores, através de verba do fundo rotativo orçamentário nacional, com o intuito de superar a problemática. Só assim, tiraremos, de fato, essa pedra no caminho do desenvolvimento nacional.