A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 05/01/2021

As universidades se originaram na Idade Média, tendo como fundadora a Igreja Católica. Nesse contexto, se tornaram locais de difusão do conhecimento, vindo, posteriormente, a se desvincular da exclusividade religiosa. Atualmente, as faculdades são locais de produção tecnológica que se destacam no mundo. No Brasil, por exemplo, se evidenciam as instituições públicas, como a USP, que, segundo a QS - grupo de analistas internacional - , é a melhor universidade da América Latina. No entanto, mesmo com tal grau de importância, a pesquisa científica nelas realizada é, ainda, negligenciada devido à ignorância da população e à inércia estatal.

Em primeira análise, a população, em vez de formar opiniões baseadas em fatos, apenas reproduz o sendo comum que dá à universidade uma imagem negativa. Segundo o filósofo iluminista Immanuel Kant, a menoridade consiste no estado em que o indivíduo apoia suas convicções em pensamentos alheios e deixa de pensar por si próprio. Assim, os cidadãos ouvem declarações equivocadas sobre as instituições públicas e as tomam como verdade. Essa conjuntura faz com que não haja pressão popular suficiente sobre o governo para que direcione recursos humanos e financeiros para as universidades, o que torna as pesquisas científicas impraticáveis.

Ademais, é necessário considerar a inércia governamental quanto à produção científica no Brasil. O Brasil é um dos países em que há universidades públicas de qualidade no mundo, entretanto, nos últimos anos, elas têm sofrido com inúmeros cortes de insumos e de bolsas para pesquisadores. Nesse cenário, é notável que o Estado brasileiro não tem, hoje, a pesquisa em instituições nível superior como uma prioridade na distribuição de recursos, mesmo sendo esta uma das principais formas de desenvolvimento técnico, científico,  informacional e social.

Infere-se, portanto, que são necessárias medidas para minimizar o estado de negligência para com a pesquisa científica nas universidades brasileiras. A Receita Federal deve propor uma reforma na Lei de Diretrizes Orçamentárias a fim de discriminar uma maior parcela às instituições de ensino superior, além de propor reduções tributárias proporcionais aos investimentos da iniciativa privada nas pesquisas realizadas nessas. Além disso, é imperioso que as redes televisivas de grande audiência - como Globo, SBT e Record - disponibilizem todos os dias um horário para divulgação dos conteúdos e da relevância de tais pesquisas. Essa divulgação deve ser dirigida pelas universidades e ser produzidas em linguagem acessível, similar a um programa de auditório. Dessa maneira, será possível para a população construir sua própria opinião sobre as universidades e se constituirá a pesquisa como uma prioridade para os gastos estatais.