A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 05/01/2021

A Constituição Federal brasileira de 1988 estabelece como função do Estado a promoção e o incentivo do desenvolvimento científico no País. Na atual conjuntura nacional, no entanto, observa-se uma subversão prática dessa máxima, uma vez que a pesquisa no âmbito universitário, maior responsável pelos avanços científicos no Brasil, é pouco valorizada. Tal fato decorre da falta de contribuição monetária para o desenvolvimento de projetos, o que é responsável pela adoção popular de práticas ligadas à pseudociência. Desse modo, ações interventivas são de extrema importância.

Cabe abordar, de antemão, a questão do pouco financiamento de trabalhos de pesquisa e desenvolvimento científico como fator contribuinte para a estagnação do avanço tecnológico observado atualmente. Essa situação ocorre, sobretudo, pela falta de interesse da iniciativa privada em atuar junto a instituições de ensino públicas, que são as maiores responsáveis pelas pesquisas no Brasil, no desenvolvimento de inovações nacionais, por causa da demora na observação de aplicações práticas do conhecimento adquirido. Nesse panorama, inviabiliza-se o efeito benéfico da disseminação de descobertas, ora percebido quando o médico escocês James Lind descobriu a cura do escoburto, no século XVIII, e obteve apoio para expandir o tratamento. Assim, é nítida a estagnação científica atual.

Consequentemente, observa-se uma constante adoção, por parte da sociedade, de práticas ligadas à pseudociência cotidianamente. Esse cenário se verifica por ocorrer com os cientistas algo semelhante ao que foi submetida a personagem mitológica Cassandra, que, ao recusar um relacionamento com o deus Apolo, foi amaldiçoada a prever o futuro e não encontrar quem em suas previsões acreditasse. Paralelamente a isso, na realidade brasileira, a falta de valorização de trabalhos de pesquisa científica faz com que o corpo social crie tendências a descredita-los e assumir posturas anti-científicas, como se evidência no movimento anti-vacina. Portanto, é notório o efeito social da desvalorização da ciência.

Dessa forma, torna-se evidente a existência, no Brasil, de um processo inviabilizador do progesso científico pelo pouco incentivo a pesquisas nas universidades. Urge, portanto, que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações faça parcerias com redes privadas de diversos setores para promover a participação desses agentes em projetos de financiamento acadêmicos para o desenvolvimento de inovações científicas, ressaltando que essas podem por eles serem utilizadas futuramente em benefício mundial com garantia de retorno monetário pelo alto valor agregado à produção intelectual resultante do progresso tecnológico brasileiro, a fim de solucionar o problema da falta de verba nas universidades e promover a valorização da ciência nacional. Com isso, espera-se cumprir o que estabelece a Constituição Federal vigente.