A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 05/01/2021

No fim do século XIX, Júlio Verne, em “2000 Léguas Submarinas”, vislumbrara para o futuro uma sociedade moderna, mergulhada na evolução e no otimismo. A pós-modernidade corrobora, em parte, para as projeções do autor mas a ineficácia estatal e a compactuação da sociedade materializam a antítese da prospecção do autor e dificulta a pesquisa científica nas universidades brasileiras.

Mormente, a ineficácia estatal consubstancia maiores desafios. Esse paradigma político alicerça-se na inação do Estado em relação a essa pauta para atender sua agenda fisiologista, que prioriza suas próprias causas em detrimento das demandas populacionais. Essa conjuntura governamental pode ser compreendida à luz da reflexão de Maquiavel que, em “O Príncipe” desvelou a necessidade de o governante conduzir suas ações visando sempre perpetuar o seu poder, entretanto, para avultar as pesquisas científicas nas universidades não parece ser a melhor estratégia.

Outrossim, a compactuação da sociedade é uma problemática a ser analisada. Sob essa análise, Michel Foucault em seu livro “Vigiar e Punir”, disserta sobre a naturalização, processo pelo qual certos comportamentos, como preterir a ciência, são tidos como naturais, por meio da intensa repetição. Dessa forma, ao repetir a negligência à ciência e não dar a devida atenção ao tema, a sociedade torna natural e promove essa problemática.

Em suma, faz-se necessária a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Portanto, urge que o Ministério da Educação promova, por meio de verbas governamentais, palestras nas instituições de ensino desde a mais tenra idade afim de que haja conscientização da importância da ciência. A palestra deverá ser mediada por profissionais qualificados e, preferencialmente, com o acompanhamento dos responsáveis para que eles possam entender e repassar a importância do tema proposto. Ademais, é preciso que o Ministério da Saúde faça campanhas que promovam a pesquisa científica nas Universidades a fim de que a população possa compreender os seus benefícios. Dessarte, a sociedade contemporânea estará mais próxima do que Júlio Verne vislumbrou para o futuro.