A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 10/01/2021

A fuga de cérebros, preocupante fenômeno em ascensão no Brasil contemporâneo, caracteriza-se pela emigração de indivíduos altamente especializados para nações em que seu potencial é alvo de maior reconhecimento. Tamanho problema é sintoma da precariedade das condições de pesquisa científica em universidades brasileiras, decorrente da subestimação de seu papel no desenvolvimento nacional, pensamento que traz expressivos prejuízos.

Antes de mais nada, é preciso ressaltar a importância da ciência e de seus impactos. Em momentos históricos como o da Guerra Fria, em que o avanço tecnológico era motivo de intimidação e influência, os investimentos na procura por inovações dispararam, assim como o progresso das duas nações envolvidas. Nessa disputa ideológica, ambas as potências mostraram estar cientes do alcance dos avanços científicos, que penetram nos mais diversos setores. Feito semelhante ocorreu com os ibéricos, que, dotados de tecnologia em extrema disparidade com a dos nativos, dominaram esses povos com facilidade. Tendo isso em mente, percebe-se que não foi à toa que Francis Bacon teria afirmado: “Conhecimento é poder”.

Entretanto, o Brasil está sujeito a severos danos à sua economia por ignorar esses fatos. Durante a colonização, o papel da periferia era abastecer sua metrópole de matéria-prima, além de ser seu mercado consumidor. Dessa forma, suas importações pesavam muito mais do que suas exportações, impedindo seu enriquecimento e sua independência. O mesmo cenário se repete no contexto atual, em que mentes brilhantes se formam à custa do sistema de ensino brasileiro, enquanto que países desenvolvidos, cobiçando tais profissionais, recebem mão de obra já qualificada. Assim, mantém-se o Pacto Colonial: inovações são patenteadas por outros países e institui-se a dependência por tecnologias estrangeiras.

Nesse sentido, sem a valorização da pesquisa científica nas universidades brasileiras, o país está sujeito a graves impactos à sua economia e ao seu desenvolvimento. A fim de superar esse desafio, é papel do Governo Federal direcionar mais verbas a esse setor com dinheiro vindo do Produto Interno Bruto, cujo aumento está intimamente ligado ao avanço tecnológico nacional e também devido aos seus impactos em toda a sociedade. Diante dessas mudanças, a pesquisa e o progresso serão fomentados, a dispersão da mão de obra qualificada encerrará e, quem sabe, enfim o Brasil deixará de ser colônia.