A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 06/01/2021
No livro “Uma breve história da riqueza”, o economista William Bernstein elenca pontos fundamentais que, todas as nações hoje desenvolvidas, priorizaram investimentos e esforços. Para crescer, o fator crucial, para além do capital, do trabalho e da renda fundiária, é a pesquisa científica. A pesquisa científica, para além das capacidades lucrativas que pode ter, tem a capacidade de tranformar para melhor a vida das pessoas, tendo sempre sido mister. Contudo, a teoria não encontra paralelo na realidade nacional, sendo a pesquisa científica nas universidades brasileiras negligenciada, com barreiras vindo do método educacional falho e desenvolvimento tecnológico impedido.
Em primeiro lugar, é necessário compreender como o método educacional atual é falho e incapaz de desenvolver um conhecimento mais profundo. Segundo o pedagogo Paulo Freire, há no Brasil o que se pode ser chamada de “educação bancária”, que é uma educação que trata alunos como bancos, que servem simplesmente para depositar conhecimento de forma acrítica e passiva. Assim o sendo, o estudante não é um sujeito ativo e partícipe no processo de aprendizagem, o que dificulta o ensino e torna o mesmo oneroso. Logo, programas de extensão e de bolsas de pesquisa recebem cada vez menos atenção da juventude, dificultando o desenvolvimento das pesquisas nas universidades.
Além disso, é preciso entender como há uma constante sabotagem do desenvolvimento tecnológico nos países terceiro mundistas. De acordo com o economista Ha Joon Chang, existe uma ocorrência constante na história dos países desenvolvidos. Tais países protejem suas indústrias e investem massivamente em pesquisa e desenvolvimento, e uma vez que enriquecem, “chutam a escada” que os levou até lá, forçando regimes de livre mercado aos países do sul global, com penas de multas e tarifas caso não sigam sua ideologia. A consequência dessas artimanhas é o impedimento de indústrias nacionais e, por conseguinte, desenvolvimento tecnológico e de pesquisa no âmbito nacional.
Logo, para combater os obstáculos à pesquisa científica nas universidades brasileiras, faz-se necessária uma intervenção do poder público. Inicialmente, é preciso o desenvolvimento de cursos, por parte do Ministério da Educação em parceria com as Secretarias municipais, para professores, afim de aderir um método freiriano de ensino, incluindo os estudantes no processo de aprendizagem e os fazendo sujeitos críticos e ativos no mesmo. Em segundo lugar, tarifas protecionistas e investimento por parte do Ministério da Economia em uma indústria nacional tecnologicamente avançada é crucial, permitindo um verdadeiro crescimento na capacidade de pesquisa no Brasil. Só assim podemos pensar em um futuro no qual o Brasil é um país desenvolvido e que consegue transformar, junto com a tecnologia e pesquisa, para melhor a vida das pessoas.