A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 06/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é justamente o oposto do que o autor prega, uma vez que a falta de fomento da pesquisa científica nas universidades brasileiras representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência estatal quanto da indiferença da população, no tocante à ciência e à tecnologia.
Constata-se, à vista desse impasse, a ausência de medidas governamentais para subsidiar a comunidade científica em suas relevantes pesquisas nacionais. Nesse sentido, o filósofo empirista John Locke desenvolveu o conceito de “Contrato Social”, em que o Estado possui a função de garantir que todos os cidadãos desfrutem de direitos fundamentais. Entretanto, esse contrato é violado no Brasil, já que o governo federal não cumpre o papel de assegurar o pleno exercício dos cientistas brasileiros, os quais são, recorrentemente, coagidos a interromperem seus ofícios, em virtude dos sucessivos cortes de verbas estatais. Por conseguinte, a omissão dessa autarquia agrava substancialmente a conjuntura atual e fere importantes preceitos constitucionais relativos ao incentivo dessa área.
Ademais, é fundamental apontar a depreciação social, referente ao cultivo da ciência e da tecnologia, como impulsionadora do revés. Segundo o cientista americano Carl Sagan, em seu livro “O Mundo Assombrado Pelos Demônios”, os mais importantes pilares da sociedade moderna estão alicerçados na ciência e na tecnologia, porém a maior parte dos indivíduos desconhecem sua relevância prática. Diante disso, é fato que os cidadãos hodiernos carecem de instrução científica e tecnológica basal, o que corrobora o desinteresse nesse segmento e, também, do fomento em pesquisas nas faculdades brasileiras.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações – órgão máximo atuante na difusão dessa área no país – aumente, mediante o norteamento de capital do Tribunal de Contas da União, a oferta de bolsas para a iniciação científica, bem como o valor do auxílio dedicado aos mestrandos e doutorandos, a fim de reduzir a evasão de pesquisadores promissores. Assim, o “Contrato Social” será, de fato, respeitado no Brasil.