A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 08/01/2021

A Constituição Federal de 1988 -norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro- prevê, em seu artigo 128°, a promoção e o incentivo à ciência e tecnologia como função do Estado. No entanto, esse dever não é cumprido de forma efetiva, uma vez que muitas universidades sofrem com a falta de estrutura para promover as pesquisas científicas. Nesse contexto, percebe-se a importância da ciência para o país, mas essa questão configura-se um grave problema em virtude da falta de investimento público no desenvolvimento científico .

Em primeira instância, deve-se ressaltar a importância da pesquisa científica na vida dos indivíduos. No ano de 2020, o mundo enfrentou a pandemia do coronavírus que afetou a vida e saúde das pessoas e foi responsável por causar diversas mortes, já que, a princípio não existia uma vacina para combater o vírus, com isso, diversos brasileiros foram contaminados. Entretanto, com as pesquisas realizadas por universidades e laboratórios, foi possível desenvolver uma substância que atendesse à população e protegesse contra a doença. Nesse viés, o desenvolvimento da ciência possibilita que diversos medicamentos, vacinas e tratamentos sejam criados para tratar e evitar que as doenças afligem a população, salvando, assim, muitas vidas.

Além disso, é notório que as universidades públicas são ambientes importantes para a produção da ciência, mas para alcançarem seus objetivos necessitam de investimentos públicos. Segundo uma reportagem publicada no site “abc.org.br”, quase 100% da produção científica no Brasil provém desses lugares. Nesse sentido, para realizarem as pesquisas, é necessário dinheiro para comprar os produtos essenciais, pagar as contas do laboratório e manutenção dos aparelhos, além do pagamento da bolsa dos pesquisadores. Dessa forma, o corte de aplicações financeiras impossibilita a atuação dos pesquisadores e o desenvolvimento da ciência.

Urge, portanto, que instituições públicas cooperem para mitigar essa problemática. Cabe ao Estado garantir que haja investimento em pesquisas científicas realizadas nas universidades públicas, criando uma lei que direcione 5% do PIB nacional para o financiamento da ciência, tecnologia, inovação, além do pagamento dos funcionários e manutenção dos laboratórios, a fim de que seja possível a realização das pesquisas e criação de substâncias que salvam a vida dos brasileiros. Somente assim, o Brasil cumprirá com seu dever constitucional e se tornará um país justo e solidário.