A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 05/08/2021
Carl Sagan, cientista e físico estadunidense, afirmava, há cerca de 30 anos, que vivemos em uma sociedade extraordinariamente dependente da ciência e das tecnologias, na qual quase ninguém sabe nada sobre ambas. À vista disso, a fala do físico continua a ser gravemente atual, dado que produzir ciência no Brasil se torna cada vez mais difícil. Isso se deve sobretudo à falta de incentivos financeiros por parte do governo, fato que leva ao atraso e interrompimento de diversas pesquisas científicas importantes e ao exílio de muitos pós-graduandos.
Nesse aspecto, segundo a Academia Brasileira de Ciências (ABC), as universidades públicas são responsáveis por mais de 95% da produção científica no Brasil, em diversos âmbitos, como agricultura, saúde e física. No entanto, a superficialidade e imediatismo que regem a sociedade atualmente contribuem para que os investimentos na área e o financiamento de bolsas estudantis sejam cada vez mais precárias, visto que os resultados geralmente são observados a médio e a longo prazo. Assim, isso é comprovado por números da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que expõe que de cada 100 reais gastos pelo governo federal, apenas 32 centavos são investidos em ciência e tecnologia.
Dessa forma, há o comprometimento de diversas pesquisas iniciadas no país que são de suma importância, como o desenvolvimento de vacinas e de tratamentos inovadores, que não podem ser finalizadas por falta de financiamento. Além disso, tem acontecido a chamada “fuga de cérebros”, dado que inúmeros estudantes, sejam estes mestrandos, doutorandos ou pós-doutorandos, têm buscado vagas em universidades do exterior, em países nos quais a ciência é mais valorizada, especialmente com o intuito de não precisarem abandonar suas pesquisas por falta de incentivo financeiro governamental.
Portanto, com vistas a corroborar com o desenvolvimento da ciência no Brasil, é necessário que os estudantes, especialmente os pós-graduandos, juntamente com ONGs voltadas para o desenvolvimento da ciência, busquem formas de pressionar o governo federal para que uma parcela maior dos altos impostos cobrados da população seja direcionada para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para serem repassados para as faculdades. Isso deve ser feito por meio de manifestações passivas e cartas abertas publicadas em meios de grande alcance, como as redes sociais, que explicitem a importância das pesquisas científicas e as quão sucateadas as universidades estão sendo, para que o exposto por Carl Sagan deixe de ser uma realidade e a ciência seja de fato vista com a importância que possui.