A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 08/01/2021

Um dos grandes objetivos do governo, na Era Vargas, foi investir na industrialização do país e, assim, diminuir a dependência de produtos importados. A participação do Estado, nesse caso, foi fundamental para iniciar a modernização nacional. Entretanto, no que se refere às pesquisas científicas nas universidades brasileiras, no cenário atual, essas têm enfrentado a negligência governamental, que gera consequências para o país, como a dependência tecnológica.

Primeiramente, é imperioso salientar que o Brasil sofre prejuízos ao deixar de apoiar a ciência. Ademais, alinhado ao pensamento do economista Sir Arthur Lewis - que a educação nunca é despesa, mas investimento com garantia de retorno - isso versa a necessidade da pesquisa científica ser primordial para o desenvolvimento do país. Ora, é a partir da ciência desenvolvida nas universidades que podemos medir o grau de desenvolvimento nacional e, na ausência de investimentos estatais, toda a sociedade perde. Logo, essa falta de apoio pode gerar a desvalorização do ensino superior e a ‘‘fuga de cérebros’’ que, somente no ano de 2019, mais de 22 mil cientistas fizeram declaração de saída definitiva do Brasil,  como mostra os dados da Receita Federal.

Concomintantemente, a falta de pesquisas científicas nas universidades mantém o Brasil dependente de tecnologia exterior. Nesse sentido, para um país ser desenvolvido e autônomo, ele precisa produzir ciência, desenvolver estudos que ocorrem nas universidades, como acontece no Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde o polo tecnológico está intimamente ligado aos campus universitários. Caso contrário, a pesquisa científica nacional, sem o devido financiamento, não auxiliará a nação a alcançar a sua independência tecnológica. Isso fica exposto no fato de o Brasil ter que pagar royalties pelo uso de softwares estrangeiros ou, quando há tranferência completa dos direitos ao uso desses, eles já são, de certa forma, ultrapassados.

Portanto, é impreterível assegurar a produção de científica no Brasil, e cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia realizar investimentos de apoio às instituições de ensino superior nacionais a fim de garantir as pesquisas universitárias nas várias áreas do conhecimento, como nas ciências humanas, naturais e literárias. Isso pode ser realizado por meio de financiamneto de projetos, melhorias nos campus e polos de pesquisas, bolsas de estudos no Brasil e no exterior e evitar cortes de gastos na ciência. Assim, o Estado, que foi fundamental para a industrialização do país na Era Vargas, garantirá a constante modernização nacional por meio do apoio à ciência nas universidades.