A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 09/01/2021
O longa-metragem “Zootopia” mostra a trajetória da protagonista, a coelha Judy Hopps, com relação à conquista de sua maior aspiração profissional dentro do contexto de uma grande metrópole. Assim como no filme, quando a personagem percebe que a concretização de suas expectativas não é uma realidade tão favorável como esperado naquele ambiente, muitos estudantes também reconhecem dificuldades no processo de conquista do mérito superior acadêmico dentro do panorama brasileiro. Nesse sentido, o avanço da pesquisa científica nas universidades brasileiras encontra obstáculos tanto na evasão escolar a níveis básicos como, sobretudo, no fenômeno acadêmico da “fuga de cérebros”.
Em uma perspectiva inicial, é preciso ressaltar que a questão da diminuição do contingente de estudantes desde níveis fundamentais, na condição de ameaça à continuidade desses indivíduos na educação formal, representa um óbice à formação de novos pesquisadores, porque interrompe a conexão do estudante básico com o ingresso à academia. Sob esse espectro, de acordo com fontes do Instituto Ayrton Senna, a evasão escolar no Brasil significa uma perda anual de 3% do PIB (Produto Interno Bruto). Sumariamente, o país perde não apenas a oportunidade de elevar a escolaridade, mas de financiar projetos científicos que renderiam prestígio e investimentos.
Outrossim, o panorama acadêmico superior brasileiro denuncia descaso para com a área: segundo uma pesquisa divulgada pela revista Galileu, o número de doutores e mestres brasileiros representava míseros 0,5% em 2017. Lamentavelmente, o Brasil não cativa apreço à pesquisa científica tanto como países como a Suíça - que categoriza os pesquisadores como trabalhadores ativos e com direitos trabalhistas como a aposentadoria - e, por isso, sofre com o fenômeno conhecido como “fuga de cérebros”.
Dessa maneira, medidas são necessárias para combater a evasão escolar e universitária, principais protagonistas do declínio no número de pesquisas e pesquisadores brasileiros; afinal, tal como defendido pelo economista inglês Arthur Lewis “educação nunca foi despesa, sempre foi investimento”. Portanto, é de responsabilidade do Governo Federal, com auxílio do Congresso Nacional, a partir da implementação constitucional de amparo à educação básica e pesquisa científica, determinar cotas mínimas para o investimento anual destinado à manutenção e oferta de bolsas do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa), programas de auxílio a estudantes carentes em escolas públicas e benefícios trabalhistas, como a aposentadoria, a pesquisadores. Assim, finalmente, a pesquisa científica será amparada e fortalecida no Brasil.